China reduz estimativa para importação de soja na temporada 2018/19

Publicado em 12/07/2018 11:23 e atualizado em 12/07/2018 14:12
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"Estou em Bruxelas, mas sempre pensando em nossos produtores rurais. A soja caiu 50% desde 2012 até agora, quando fui eleito. Os produtores têm a pior renda em 15 anos. As tarifas e barreiras de outros países estão destruindo nossos negócios. Vou abrir as coisas, deixá-las melhores do que nunca, mas não pode ser muito rápido. Estou lutando por um melhor nível de jogo para nossos agricultores e vou vencer". Essas são as palavras do presidente Donald Trump, via Twitter, nesta quarta-feira (11) mostrando sua preocupação 

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Enquanto isso, a China anuncia, também nesta quinta, sua previsão das importações de soja para o ano comercial 2018/19 - que começa em 1º de outubro - para 93,85 milhões de toneladas. Ao ser confirmado, esse número será de 1,8 milhão de toneladas - ou 2% - menor do que a estimativa anterior do Minitério da Agricultura do país asiático. Haverá também uma baixa em relação à atual temporada, onde as importações estão estimadas pelo órgão em 95,97 milhões de toneladas. 

Ainda de acordo com o boletim reportado pelo ministério chinês, as tarifas sobre a soja importada dos EUA, em retaliação às tarifas colocadas pelos americanos em produtos da China, deverão promover uma "inflação" dos preços da oleaginosa, além de provocar a necessidade dos processadores de buscarem outras alternativas para sua fonte de proteína. 

O relatório mostrou ainda que a demanda por farelo de soja, por exemplo, já foi afetada com perdas na suinocultura, que é seu maior demandador. 

Todo esse movimento já levou os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago a registrarem suas mínimas em 10 anos. E as contas deste impacto têm sido feitas por produtores de todo o país, os quais Trump tem tentado proteger, com medidas que possam mitigar oes efeitos dessa taxação. 

"A matemática é simples. Você taxa a soja em 25% e então terá danos muito severos sobre os produtores norte-americanos", diz John Heisdorffer, um sojicultor de Iowa, ao portal internacional CNN Money. 

Neste ano comercial, os chineses respondem por somente 17% da soja vendida pelos EUA, bem menor do que a média de 60% da última década, segundo uma análise feita pela Reuters Internacional. Na outra ponta, os chineses têm ampliado de forma intensa e bastante significativa suas compras no Brasil. 

Evolução das importações de soja da China nos EUA - Fonte: Reuters

Evolução das importações de soja da China nos EUA - Fonte: Reuters

"O Brasil vai vencer frente a isso tudo. Mesmo em meio a uma guerra comercial, que é ruim para todo mundo, o mercado vai se ajustar a essa nova realidade e a boa notícia vem com esse demanda muito forte. Os chineses não podem parar de comprar", diz o analista de mercado da Cerealpar e consultor do Kordin Grain Terminal, de Malta, Steve Cachia ao The Wall Street Journal. 

Na busca por reduzir sua dependência dos EUA, a China deverá continuar a buscar alternativas de fornecedores de soja, posição reforçada pela trader estatal de grãos COFCO, uma das maiores do país. 

Yu Xubo, representante da empresa, disse em entrevista nesta semana que a nação asiática poderá ainda aumentar suas compras de produtos como canola, sementes de girassol. Além disso, deverá investir também em mais farelo de canola, de girassol e farinha de peixe para suprir esse gap deixado pela soja americana. Além disso, afirmou ainda que aumentar as importações de carnes também é uma opção. 

"No longo prazo, a América do Sul e a região do Mar Negro ainda têm um ótimo potencial sobre suas áreas agricultáveis e poderiam carregar um papel ainda maior na cadeia de abastecimento global de soja", disse Xubo. 

Cálculos do CNGOIC (Centro Nacional de Informações de Grãos e Óleos da China) mostram que a tarifação de 25% sobre a soja norte-americana aumentam os custos de importações deste produto em cerca de 700 a 800 yuans por tonelada, enquanto a soja importada do Brasil custa 300 yuans a mais. 

Com informações dos portais internacionais Bloomberg, Reuters, CNN e The Wall Street Journal

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

3 comentários

  • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

    Virgilio... com precos baixos a conclusão provável é que aumentaram seus estoques... no problema da sobretaxa, o que vai mudar são os fornecedores e compradores... a oferta e demanda não mudam... confirmada a redução de compra dos chineses mais um motivo para os preços da soja permanecerem baixos.

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  • Virgilio Andrade Moreira Guaira - PR

    Complicado, mas comer, todos precisam !! E não é ai que as pessoas vão economizar !!

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  • Claudemir De Vargas Colorado - RS

    Engraçado que, em todos estes comentários, não falam do produtor brasileiro. Aqui ninguém é bobo. A China sempre nos explorou. Cancelou inúmeros contratos, fazendo o soja despencar de um dia para o outro. Hoje com um clic se sabe as notícias em tempo real. E é neste tempo real, que o brasileiro não vai vender seu produto barato. Agora é a hora do boi beber água meus amigos!

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