Soja: Brasil descola da Bolsa de Chicago e fecha agosto com mais de 4% de altas nos portos

Publicado em 31/08/2018 17:33
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"O mês de agosto foi desastroso para a tendência dos preços internacionais de soja e para a economia brasileira, mas favorável para manter em níveis elevados os preços de soja em reais no mercado interno brasileiro". O resumo é o do diretor da Cerealpar, Steve Cachia, que justifica as baixas acumuladas de mais de 6% entre os principais vencimentos da soja negociados no mercado futuro norte-americano. 

Com essa pressão, o contrato novembro/18 fechou o mês com US$ 8,43 por bushel, e queda de 6,14%, e o janeiro passou de US$ 9,12 para US$ 8,56, com perda de 6,14%. 

As baixas não foram ainda mais intensas porque nesta sexta-feira as cotações terminaram o dia com altas de 11,25 a 13,50 pontos entre as posições mais negocidas, com o mercado da soja econtrando suporte nas altas de mais de 2% entre as cotações do milho e do trigo. 

Agosto foi repleto de estimativas da nova safra norte-americana e a mais forte delas veio com os dados do Pro Farmer, um dos mais importantes e tradicionais crop tours dos EUA, com a projeção de pouco mais de 127 milhões de toneladas de soja a serem colhidas na temporada 2018/19. Os dados repercutiram por dias no mercado e ajudaram a intensificar a pressão sobre as cotações. 

Ademais, a guerra comercial entre China e Estados Unidos continuou, os rumores aumentaram, bem como a tensão entre as duas maiores economias do mundo. Nesta sexta-feira (31), inclusive, Donald Trump informou estar preparado para intensificar a disputa, adotando mais 200 bilhões de dólares em importações chinesas assim que o período de consulta pública sobre o plano acabar na próxima semana, segundo informou a Bloomberg News.

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Paralelamente, porém, a movimentação do dólar frente ao real também chamou muito a atenção dos traders no mercado internacional e a valorização da moeda americana em 8,46% no mês ajudou a pesar sobre as cotações da soja em Chicago. Com a divisa brasileira mais barata, o produto do Brasil se tornou ainda mais competitivo, ajudando a manter a concentração das compras chinesas no mercado do Brasil. 

O andamento do mercado cambial brasileiro tem sido pautado, principalmente, pelo cenário da corrida presidencial. Todas as pesquisas de intenção de voto seguem mostrando a liderança do ex-presidente Lula e, em um cenário sem ele, a priemeira posição é de Jair Bolsonaro. 

Nesta sexta, o dólar passou por uma correção depois das altas consecutivas e, de ao longo da semana bater nos R$ 4,20, de 1,78% para fechar nos R$ 4,07. Na máxima do dia, alcançou os R$ 4,1781. 

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E essa alta de mais de 8% do dólar frente ao real permitiu que, também no mês de agosto, os preços da soja no mercado de portos do Brasil conseguissem registrar um balanço positivo, com altas de mais de 3%. 

Para o produto disponível, em Paranaguá a alta acumulada neste mês foi de 1,10%, com a saca fechando em R$ 91,00, enquanto em Rio Grande o ganho foi de 4,21%, com o preço passando de R$ 87,80 para R$ 91,50 por saca. Ainda no terminal gaúcho, a referência para setembro subiu, em agosto, 3,84% para R$ 92,00. 

Os negócios, nesta semana, mantiveram um bom ritmo de evolução para o produto restante da safra 2017/18, com os vendedores aproveitando não só as puxadas do dólar, mas também dos prêmios, que vieram subindo na medida em que as cotações recuavam na Bolsa de Chicago. Dessa forma, as principais posições de entrega ainda têm valores de US$ 1,80 a US$ 2,00 sobre os valores praticados na CBOT. 

O mesmo, porém, não acontece na nova safra. A comercialização está atrasada - dadas tantas incertezas que ainda rondam os custos da temporada 2018/19 - e os negócios estão bem mais lentos. 

Ainda assim, as cotações também registraram um balanço positivo, com alta de 3,84% para a soja com referência fevereiro/19, no terminal de Paranaguá, fechando o mês com R$ 85,00 por saca. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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