Resultado de encontro de Trump e Xi pode ser combustível para recuperação da soja

Publicado em 02/12/2018 07:38 e atualizado em 03/12/2018 10:46
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Após meses de espera a especulações, o aguardado jantar entre Donald Trump e xi Jinping aconteceu durante a reunião do G20 e parece ter dado uma sinalização positiva para a soja, segundo informações de agências internacionais. A expectativa dos especialistas é que o resultado do encontro possa dar uma "sacudida positiva" nos preços da oleaginosa. 

Em um comunicado divulgado no fim da noite de ontem, após o jantar, a Casa Branca informou que a China começará a comprar produtos agrícolas norte-americanos "imediatamente". O anúncio foi recebido com otimismo e, segundo analistas, representa um avanço significativo em um caminho para começar a dar fim na guerra comercial. 

Do mesmo modo, a China teria concordado em, ainda segundo a Casa Branca, "iniciar imediatamente negociações sobre mudanças estruturais com relação à transferência forçada de tecnologia, proteção à propriedade intelectual, barreiras não tarifárias, agricultura e assuntos cibernérticos". 

Como mostra a análise do portal internacional Agri-Pulse, essa promessa do líder chinês foi fundamental para que ambos chegassem a um consenso. Assim, em um comunicado, o presidente Donald Trump afirmou que "este foi um incrível e produtivo encontro, com possibilidades ilimitadas para a China e os EUA". 

Uma coletiva estava programada para acontecer logo após o encerramento da cúpula do G20, entretanto, a morte do ex-presidente americano George W. Bush pai, aos 94 anos, adiou a coletiva, que segundo Trump acontecerá somente após o funeral. 

Tweets Trump Pós G20

Líderes de Washington disseram que a reunião do Trump e Xi foi "um grande sucesso. E o governo americano já havia sinalizado, nos últimos dias, que pressionaria o chinês para que voltasse a importar soja dos EUA. Dessa forma, o que se espera com esse primeiro acordo é que que a dinâmica do comércio de soja entre os dois países possa começar a voltar ao normal ou, pelo menos, que seja em partes retomado. 

A expectativa agora é sobre a reação dos traders e demais participantes do mercado diante desse resultado da reunião do G20. Nas últimas semanas, afinal, a volatilidade para os preços da soja se intensificou de forma bastante agressiva com declarações sendo feitas de ambos os lados, inclusive, com o presidente americano sinalizando que poderia aumentar as tarifas sobre a nação asiática. 

No entanto, no acordo firmado entre os dois líderes neste sábado (1) a noite, está suspenso por três meses o plano de aumentar as taxações sobre a China e prevê ainda que novas tarifas não podem ser impostas a partir de 1º de janeiro de 2019. Além disso, ambos se comprometeram a continuar as negociações para buscar encerrar a disputa. 

Leia mais:

>> Trump suspende por 3 meses plano de aumentar tarifas a produtos da China

Com informações da Bloomberg e do Agri-Pulse.

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EUA e China suspendem novas tarifas por 90 dias após reunião entre Trump e Xi (REUTERS)

Por Michael Martina e Roberta Rampton

BUENOS AIRES (Reuters) - A China e os Estados Unidos concordaram em não aplicar tarifas adicionais, em um acordo que evita que a guerra comercial cresça, no momento em que ambos os lados tentam resolver as divergências em novas negociações que visam alcançar um acordo dentro de 90 dias.

A Casa Branca disse no sábado que o presidente dos EUA, Donald Trump, falou ao presidente chinês, Xi Jinping, durante negociações de grande importância na Argentina que ele não aumentará as tarifas sobre 200 bilhões de dólares em bens chineses para 25 por cento em 1 de janeiro, como anunciado anteriormente.

Pequim, por sua vez, concordou em comprar uma quantidade não especificada, mas "muito substancial" de produtos agrícolas, energéticos e industriais, disse a Casa Branca em comunicado.

Os dois lados também terão novas negociações comerciais para tratar de assuntos que incluem transferência de tecnologia, propriedade intelectual, barreiras não-tarifárias, roubo cibernético e agricultura, afirmou Washington.

Caso não se chegue a um acordo dentro de 90 dias, ambos os lados concordaram que as tarifas de 10 por cento serão elevadas para 25 por cento, disse a Casa Branca.

Neste domingo, a mídia estatal da China saudou o "importante consenso" alcançado pelos dois líderes, mas não mencionou o prazo de 90 dias.

Trump impôs tarifas de 10 por cento sobre 200 bilhões de dólares em bens chineses em setembro. A China respondeu com suas próprias tarifas.

O presidente norte-americano também ameaçou aplicar tarifas sobre adicionais 267 bilhões de dólares em bens chineses, e a relação entre os dois países pareceu se agravar nas semanas antes do encontro na Argentina.

"Eu não acho que isso é um avanço - é mais para evitar um colapso. Esse não é o pior resultado, mas o trabalho duro está pela frente", disse Paul Haenle, diretor do Carnegie-Tsinghua Center em Pequim.

"Os chineses precisam entrar (nas negociações) com um senso de urgência", ele acrescentou.

"ACORDO INCRÍVEL"

Como parte do acordo, a China concordou em começar a comprar produtos agrícolas de produtores dos Estados Unidos imediatamente, afirmou a Casa Branca.

Falando a repórteres no Air Force One, Trump elogiou seu acordo com Xi.

"É um acordo incrível", disse Trump. "O que eu estaria fazendo é segurando a mão nas tarifas. A China estará se abrindo. A China se livrará das tarifas".

Ele disse que sob o acordo a China comprará uma "quantidade tremenda de produtos agrícolas e outros" dos EUA. "Terá um impacto incrivelmente positivo sobre a agricultura".

O conselheiro estatal Wang Yi, principal diplomata do governo chinês, disse a repórteres em Buenos Aires que os dois lados acreditam que o acordo "efetivamente previne a expansão de fricções econômicas entre os dois países".

"Fatos mostram que os interesses conjuntos de China e EUA são maiores que as disputas, e a necessidade de cooperação é maior do que as fricções", afirmou.

Companhias dos EUA e consumidores estão arcando com parte do preço das tarifas dos EUA sobre a China ao pagar preços mais altos por bens, e muitas empresas aumentaram os preços de produtos importados.

Ao mesmo tempo, produtores dos EUA foram prejudicados por menores importações chinesas de soja e outros produtos.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

    Senhores...ao meu ver a briga comercial pode gerar especulação de alta ou de baixa..especulação esta que em pouco tempo se dissipa e não se sustenta nem pra cima e nem pra baixo..então passada especulação o mercado vai seguir os fundamentos de oferta e demanda...temos tido boas safras e demanda acompanha e consome esta oferta motivado pelos baixos precos em dólar...portanto salvo fato novo o preço em Chicago vai de lado e para baixo...com alguns picos especulativos de Chicago e dólar..por isto produtor deve ficar atento e ir vendendo de forma paulatina...sobre a guerra comercial e sua interferência no preço de forma sustentada é Balela...pois oferta e demanda são as memas ..o que ha e mudança de comprador e vendedor..

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