Governo Bolsonaro vai repassar R$ 4,5 milhões para municípios no RS

Publicado em 23/01/2019 19:34 e atualizado em 24/01/2019 08:00
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Rio Grande do Sul tem perdas de mais de R$ 770 mi em soja e arroz por chuvas, aponta Emater

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) anunciou hoje (23) o repasse de R$ 4,5 milhões para os municípios afetados pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul. No total, 18 municípios, que decretaram situação de emergência, vão receber R$ 250 mil cada. O dinheiro será usado para recuperar estradas importantes para o escoamento da produção agrícola e que foram destruídas pelas chuvas.

As cidades também podem pedir auxílio à Defesa Civil Nacional, vinculada ao ministério. Com isso, poderão receber ajuda adicional para restabelecer serviços essenciais e reconstruir estruturas danificadas.

Ontem (22), prefeitos de várias cidades do estado estiveram no Palácio do Planalto  e conversaram com o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Eles saíram da reunião esperando a confirmação de um repasse de R$ 24 milhões, divididos entre as 24 cidades da região afetada. O governo prometeu analisar a possibilidade, mas a decisão pelo repasse desse valor ainda não ocorreu.

As cidades gaúchas que decretaram situação de emergência e receberão a verba anunciada hoje são Alegrete, Bagé, Barra do Quaraí, Caçapava do Sul, Caiçara, Cacequi, Dom Pedrito, Itaqui, Lavras do Sul, Manoel Viana, Quaraí, Rosário do Sul, Santana do Livramento, São Borja, São Francisco de Assis, São Gabriel, Uruguaiana e Pedras Altas.

Existem, no entanto, mais municípios afetados. De acordo o último levantamento do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), do MDR, 27 cidades gaúchas foram afetadas pelas últimas chuvas no estado. 

As chuvas atingem com gravidade a região desde os primeiros dias do ano. De acordo com a Defesa Civil, são mais de 10 mil pessoas afetadas, das quais 5 mil desalojadas, 1,5 mil desabrigadas e 3,5 mil com danos em suas casas. Foram registradas mortes em Alegrete, Santana da Boa Vista e Quaraí.

Emater aponta perdas de mais de R$ 770 mi em soja e arroz por chuvas no RS

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O Rio Grande do Sul, um dos maiores produtores de grãos do Brasil, já registra perdas por chuvas excessivas nas lavouras de soja e arroz estimadas em quase 800 milhões de reais, informou nesta quarta-feira a Emater, o órgão de assistência técnica do Estado.

A estimativa foi feita após a Emater realizar levantamento sobre os efeitos das chuvas, que chegaram a mais de 600 milímetros em alguns municípios em apenas uma semana, especialmente na região da Campanha e Fronteira Oeste do Estado, o maior produtor de arroz do Brasil.

A situação no Rio Grande do Sul, tradicionalmente o terceiro produtor de soja do Brasil, difere de outros Estados do país, que sofreram com a seca e altas temperaturas, motivando revisões para baixo nas estimativas de produção nacional da oleaginosa para 117 milhões de toneladas, segundo pesquisa da Reuters publicada nesta quarta-feira.

“O levantamento (da Emater) aponta para prejuízos significativos, especialmente para alguns municípios e para agricultores de áreas mais baixas e próximas aos rios, que saíram do leito nesse período”, disse o diretor-técnico da instituição, Lino Moura, em nota.

Foram levantados dados de 52 cidades mais atingidas —destes municípios, 16 decretaram situação de emergência, disse a Emater.

A situação foi considerada grave ao ponto de a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, marcar viagem na quinta-feira ao Estado, para contatar integrantes do setor.

Com a seca no Paraná desde o final do ano passado, analistas chegaram a apontar a possibilidade de o Rio Grande do Sul superar o outro Estado sulista como segundo produtor nacional.

Nas lavouras de soja naquelas mesmas regiões gaúchas, que totalizam pouco mais de 1 milhão de hectares cultivados, a Emater estimou prejuízos em 275 mil hectares, atingindo 1.950 produtores e ocasionando perdas de 339 mil toneladas, ou 435 milhões de reais somente nos 52 municípios.

“Municípios de outras regiões também terão perdas por falta de luminosidade e excesso de água no solo, mas ainda é cedo para uma avaliação mais consistente. O controle de pragas e doenças também foi prejudicado em alguns locais pelas chuvas e excesso de umidade no solo”, disse o órgão de assistência técnica.

Antes dos problemas pelas chuvas, a safra gaúcha de soja havia sido estimada pelo governo brasileiro em 18,7 milhões de toneladas.

A Emater também apontou problemas para o arroz irrigado, com 50.300 hectares alagados por rios e com perdas estimadas em 461 mil toneladas, totalizando 342 milhões de reais de prejuízo estimado.

Pelo último levantamento do Ministério da Agricultura, antes das perdas pelas chuvas, a expectativa era de que o Estado produzisse 7,88 milhões de toneladas de arroz.

Uma avaliação mais consistente dos prejuízos poderá ser feita após o retorno da normalidade dos níveis dos rios, acrescentou a Emater.

De acordo com a previsão climática, segundo o Refinitiv Eikon, as chuvas perderão intensidade até o início de fevereiro, ficando abaixo da média histórica para o período em todas as regiões produtoras gaúchas.

A situação de déficit de chuvas continuará em outros Estados produtores, como Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Na cultura do milho do Rio Grande do Sul, os chuvas atingiram 13.500 hectares, com perdas de 14,2 mil toneladas, representando um prejuízo de 9 milhões de reais, segundo a Emater.

O Rio Grande do Sul também teve danos pelas chuvas em estradas, o que pode prejudicar o escoamento da produção, especialmente de leite.

A situação vivenciada por agricultores gaúchos também foi registrada na Argentina em janeiro.

Cerca de 2 milhões dos 17,8 milhões de hectares plantados com soja, a principal cultura comercial da Argentina, foram danificados pelas fortes chuvas, segundo informações do setor.

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Fonte Agência Brasil + Reuters

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