Soja: "Momento não é de venda no Brasil", diz analista orientando sobre impasse China x EUA

Publicado em 30/01/2019 18:07
1628 exibições

LOGO nalogo

Apesar da estabilidade entre os preços da soja e o dólar frente ao real nesta quarta-feira (30), os preços da soja conseguiram espaço para variações mais expressivas no mercado brasileiro. Variações foram registradas tanto no interior, quanto em alguns portos do Brasil. 

No terminal de Paranaguá, o spot subiu 0,39% para fechar o dia com R$ 76,50 por saca, enquanto a referência março se manteve estável nos R$ 76,70. Em Rio Grande, alta de 0,40% no disponível e de 0,26% para fevereiro, com as últimas referências em R$ 75,80 e R$ 76,20 por saca, respectivamente. 

No interior, algumas baixas foram registradas, porém, onde os preços subiram marcaram altas de até 3,39%, como foi o caso da soja disponível em Sorriso, em Mato Grosso, para R$ 61,00 por saca. 

Os negócios no mercado nacional permanecem pontuais e ainda de baixo volume, porém, se mostram melhores do que nas últimas semanas. As necessidades dos produtores as chamam para o mercado e as novas vendas, mesmo de baixo volume, acabam acontecendo. 

Segundo explica o diretor da Labhoro Correora, Ginaldo Sousa, já há cerca de 37% a 38% da nova safra de soja do Brasil comercializada, com os produtores chegando a esse total após venderem antecipadamente, com preços melhores do que os atuais. 

Agora, porém, a situação é outra. Os preços não são os mais adequados nesse momento, mas a expectativa é de que voltem a subir. 

"Se eu fosse produtor aqui no Brasil, não venderia soja hoje. Porque se a China faz um acordo com os EUA, Chicago sobe, se não faz, os prêmios sobem no Brasil", explica Sousa. 

Bolsa de Chicago

E é justamente esse impasse ainda travado entre chineses e americanos é o que mantém o mercado na Bolsa de Chicago caminhando de lado e, ao menos por enquanto, sem perspectiva. 

Nesta quarta-feira, mais uma vez, as cotações encerraram a sessão bem próximas da estabilidade, com pequenos ganhos de pouco mais de 2 pontos. O março/19 fechou com US$ 9,21 por bushel, enquanto o maio/19 ficou em US$ 9,35. 

Há meses as cotações da oleaginosa vêm trabalhando em um restrito intervalo de valores, testando altas e baixas, sem combustível ou novas informações que pudessem as tirar dessa banda. 

Ainda assim, somente neste mês, até o último dia 29, os dois primeiros contratos já acumulam ganhos de mais de 1%. O vencimento março foi de US$ 9,07 a US$ 9,19, subindo 1,32%, e o maio passou de US$ 9,19 a US$ 9,32, com ganho de 1,41%. Ao se comparar com o dia 28 de dezembro, as altas são um pouco mais expressivas. O março tem alta de 2,68% e o maio de 2,64%. 

Neste 30 de janeiro, em Washington, recomeçam as conversas entre China e Estados Unidos em torno de suas relações comerciais e as expectativas do mercado em torno de um acordo reacendem. O período de trégua firmado entre os dois países na última reunião do G20, em dezembro último, termina em 1º de março e ainda não se conhece mais detalhes sobre o avanço das negociações entre as duas maiores economias do mundo. 

"Todos já entenderam muito bem que quando se trata de política tudo é muito imprevisível, mas quando se trata de política com o fator Trump no meio é algo que fica ainda mais difícil prever alguma coisa concreta", explica o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira. 

Leia mais:

>> Mercado internacional da soja espera por resultados de nova reunião entre EUA e China

Tags:
Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

Nenhum comentário