USDA deve trazer estoques finais de soja ainda elevados nos EUA, acima de 24 mi de t

Publicado em 07/03/2019 18:04
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O novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) será divulgado nesta sexta-feira, 8 de março, e aind deverá trazer elevados e impressionantes estoques finais de soja no país. Grandes mudanças, portanto, não são esperadas para este reporte, como explica o analista de mercado do portal internacional DTN The Progressive Farmer, Todd Hultman. 

As expectativas do mercado variam de 23,41 a 25,58 milhões de toneladas, com média de 24,55 e frente as 24,77 milhões de toneladas estimadas em fevereiro. 

Essa pouca alteração esperada para os números da oleaginosa são reflexo de pouca ou nenhuuma mudança para a dinâmica na demanda pela soja norte-americana, que segue ainda muito fraca. 

"Há centenas de potenciais cenários para a demanda nos EUA, todos ainda muito incertos, na medida em que segue em curso a disputa comercial entre chineses e americanos", diz Hultman.

Já para os estoques finais mundiais da commodity se espera uma ligeira redução, de 106,72 milhões de toneladas, projetadas no boletim anterior, contra a média esperada pelo mercado de 106,33 milhões. O intervalo de aposta das consultorias é de 104,4 a 113,57 milhões. 

Ainda segundo o analista, essa larga faixa das estimativas se dá por conta da dificuldade de mensurar, neste momento, a demanda da China, e da Ásia de uma forma geral, não só em função da disputa comercial (no caso dos chineses) e da questão da peste suína africana que tem castigado os planteis.

"A demanda da China está doente, a peste suína está fazendo um estrago tremendo, há muitos abates com os produtores tentando evitar o contágio e a pressão dos preços. Com isso, a população de suínos continua apresentando uma redução, então a venda de rações da China está muito ruim, e com isso a demanda por farelos vem caindo também", explica o analista de mercado da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin. 

Segundo o executivo, os compradores estão no aguardo, esperando para entender qual será a real oferta disponível e, mais do que isso, o desenrolar das relações entre China e Estados Unidos. 

Ao mesmo tempo, os participantes do mercado acreditam ainda na possibilidade de uma redução na projeção da safra de soja do Brasil para 115,73 milhões de toneladas, contra 117 milhões de fevereiro. As expectativas variam de 115 a 118,5 milhões. 

Para a safra da Argentina, o mercado aposta em algo entre 54 e 56,7 milhões de toneladas, com média de 55,23 milhões. No boletim anterior, o número foi de 55 milhões. 

Bolsa de Chicago

Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago esperam por esse números e, nesse compasso de espera, fecharam o dia com estabilidade, registrando pequenos ganhos de 0,50 a 1 ponto entre os principais vencimentos. 

A apatia do mercado futuro norte-americano continua e nem mesmo a notícia de que estatais chinesas compraram 500 mil toneladas de soja nos EUA foram suficientes para mexer com o ânimo dos traders. 

"Os chineses vão aos poucos comprando e sinalizando que querem o acordo, mas precisamos saber quanto será garantido de compra para saber quanto o Brasil vai perder de market share", explica o diretor da ARC Mercosul, Tarso Veloso. "Se a China garantir uma compra baixa, não se muda muito. Haverá um piso na CBOT - não cai mais para US$ 8,00 porque tem demanda garantida, mas não sobe a US$ 11,00 porque a demanda garantida não é muito forte", diz. 

Leia mais:

>> Estatais da China compram 500 mil toneladas de soja nos EUA

Preços no Brasil

A estabilidade tomou conta das cotações no mercado brasileiro também, principalmente, no interior do país. As variações foram pontuais entre as principais praças de comercialização, enquanto nos portos as referências subiram. 

Nesta quinta-feira, ganhos de mais de 1% foram registrados nos terminais de Paranaguá e Rio Grande, com a soja disponível valendo R$ 77,00 no porto paranaense e R$ 76,50 no gaúcho. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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