Satélite mostra que EUA já perderam meio milhão de h para as enchentes no meio-oeste

Publicado em 31/03/2019 02:04 e atualizado em 01/04/2019 11:32
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CHICAGO/COLUMBUS, EUA (Reuters) - Pelo menos 1 milhão de acres (405.000 hectares) de terra cultivada dos Estados Unidos foram inundados depois que a tempestade "ciclone-bomba” deixou nove estados de grandes produtores de grãos sob água este mês, mostraram dados de satélite analisados pelo Gro Intelligence para a Reuters.

Fazendas das duas Dakotas ao Missouri e em outros lugares estão sob água há uma semana ou mais, possivelmente impedindo o plantio e danificando o solo. As enchentes, que acontecem apenas semanas antes da temporada de plantio começar no Meio Oeste, deve reduzir a produção de milho, trigo e soja este ano.

A tempestade é o produto de uma queda rápida na pressão atmosférica, o que alguns meteorologistas chamam de "ciclone bomba", que provoca uma precipitação de neve rápida e ventos fortes.

“Há milhares de acres onde não será possível plantar”, disse Ryan Sounderup, 36, de Fullerton, Nebraska, que trabalha com agricultura há 18 anos, em uma entrevista recente.

“Se tivéermos sol agora até maio ou junho, talvez possa ser feito, mas eu não sei como o solo vai se recuperar com a chuva esperada”. 

Enchentes de primavera podem prejudicar uma área ainda maior de terra cultivada. A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera do governo norte-americano alertou que esta pode ser uma “temporada de enchentes sem precedentes”, pois prevê fortes chuvas de primavera. Os rios podem aumentar ainda mais porque muita neve de áreas ao norte está derretendo. 

O ciclone bomba de meados de março foi o mais recente golpe nos fazendeiros americanos que sofrem de anos de queda nas receitas e exportações por causa da guerra comercial entre EUA e China.

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Entrevista com Tarso Veloso - Diretor da ARC Mercosul sobre o Enchentes nos Estados Unidos

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Tarso Veloso - Diretor da ARC Mercosul:

Perspectiva inicial não é boa, mas ainda é cedo para entender futuro da safra americana, diz ARC Mercosul

Tarso Veloso, diretor da ARC Mercosul, conversou com o Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (29) a respeito das projeções para o mercado de grãos, frente à divulgação de um novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e também das enchentes nos Estados Unidos.

O que se sabe é que, com a demanda chinesa enfraquecida, os estoques norte-americanos são elevados. Todos os problemas climáticos acabaram chamando a atenção e levantando dúvidas de qual será o comportamento do produtor em relação à área da nova safra.

Segundo Veloso, o maior impacto das inundações se deu no estado de Nebraska, em regiões próximas a rios, nascentes e depressões. Além dos atrasos, algumas áreas não poderão ser semeadas. Entretanto, essas ações não prejudicam o andamento da safra - embora haja, sim, perda de grãos e uma possível redução da área plantada, mas de maneira pontual.

Primeiro, os norte-americanos plantam o milho e, posteriormente, a soja. A janela do milho se encerra em um período no qual ainda é possível plantar soja. De acordo com as projeções da ARC, duas a três semanas de clima bom, 50% da área estimada para o plantio será garantida.

O diretor diz acreditar que o USDA deve trazer redução da área semeada de milho. Agora, o excesso de chuvas e o excesso de neve acumulada podem, ambos, atrasar o ritmo de plantio no cinturão.

Veloso reconhece que é cedo para falar que o mercado deve ter uma alta, mas visualiza um cenário positivo para quem vende milho, já que os preços do cereal deverão ficar mais elevados.

Para ele, se o USDA fizer um corte grande na área de milho para o relatório de hoje, é possível que outros cortes ainda virão. Também pode haver uma perda de estoques de grãos com as enchentes.

Enquanto isso, a China, em reunião com os Estados Unidos, comprou mais 2 milhões de toneladas do país norte-americano, mas ainda não há acordo relativo à guerra comercial entre ambos.

Por: Carla Mendes e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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Fonte: Reuters/Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Carlos Augusto Brasília - DF

    No aspecto macro, pode até ser bom, mas para o produtor local, mesmo com seguro, deve ser péssimo. O próximo valor da franquia será maior, o solo levará algum tempo para recuperar a taxa de produtividade, fora o desânimo de perder tanto assim.

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    • ELCIO SAKAIVIANÓPOLIS - GO

      Será que o centro-oeste americano vai perder mesmo a taxa de produtividade nestes solos? Antigamente se produziam melhor em lugares alagados, pois estes lugares ocorriam depósitos de sedimentos benéficos pras plantas, No Egito antigo se cultivava as margens do rio Nilo após o período de alargamento. Observando estes problemas nos Estados Unidos, fico me perguntando qual será a solução pros milhares de implementos agrícolas que estão de baixo d'agua, será que as fabricas conseguirão atender a demanda de peças e motores em tempo hábil, até o inicio do plantio? Acho que estas regiões afetadas perderão muita eficiência de trabalho e todo produtor sabe que pra produzir bem, os serviços de plantio, pulverizações e colheita, tem que ser feita nas horas certas, sem atrasos.

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Sr. Elcio, "antigamente" as águas das enchentes carreavam nutrientes que eram depositados. ... ... Nos dias atuais, elas trazem poluentes de toda ordem. Inclusive, os grãos que se encontram debaixo d'água nos EUA, segundo consta, não poderá ser usado nem para alimentação animal pois, há o risco de conter poluentes nocivos à cadeia alimentar. ...

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