Nova tarifa da China sobre a soja dos EUA passa a 30%; Trump diz que vai responder

Publicado em 23/08/2019 13:01 e atualizado em 23/08/2019 14:16
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O último movimento do presidente americano Donald Trump de taxar em 10% mais US$ 300 bilhões em produtos da China teve resposta e Xi Jinping optou por mais tarifas. Serão taxas adicionais em US$ 75 bilhões de bens norte-americanos incluindo automóveis, petróleo e claro, soja. E Trump já avisou: "vou responder à China na tarde desta sexta-feira". 

A commodity segue no coração da disputa entre as duas maiores potências econômicas do mundo e dessa vez não seria diferente. Com a tarifação adicional de 5% dos agora a a taxa chega a 30% sobre a oleaginosa norte-americana. 

O mercado na Bolsa de Chicago já intensifica suas perdas diante dessa escalada das tensões da guerra comercial e, por volta de 12h50 (horário de Brasília), passavam dos 10 pontos. O contrato novembro já voltava aos US$ 8,58 por bushel. 

Segundo a agência internacional de notícias Bloomberg, as medidas retaliatórias de Pequim começam a valer, em partes, em 1º de setembro - como é o caso da soja - e outras em 15 de dezembro, de acordo com um anúncio feito pelo Ministro das Finanças da nação asiática. No início desta semana, a China já havia anunciado que quaisquer novos movimentos de Trump com novas tarifas seriam retaliados. 

Entre os demais produtos com a taxação extra estão o petróleo, automóveis, e carne de porco, que passa a ser tarifada em 10% agora. O milho e o algodão também estão na lista, com este último perdendo mais de 1% entre seus futuros negociados na Bolsa de Nova na sessão desta sexta-feira. Os preços do suíno também recuam no mercado futuro norte-americano. 

Na soja, os traders parecem já estar habituados a informações como esta e a reação das cotações na Bolsa de Chicago poderiam ser bem mais intensas. Mas já inserido quase como um fundamento da commodity, a escalada da guerra comercial - um conflito que ruma aos dois anos de duração - acaba tendo efeito limitado.

"Quando se trata da relação de oferta e demanda, isso não significa nada, já que os compradores (chineses) não estão comprando nada mesmo (nos EUA). Isso é mais sobre manchetes do que sobre uma mudança real no fluxo de soja entre China e EUA", explica Arlan Suderman, economista chefe de commodities da INTL FCStone à Bloomberg. 

E embora todas estas medidas e contra-medidas estejam sendo tomadas por ambos os países, representantes tanto da China, quanto dos EUA seguem realizando conversas semanais por telefone, tentando dar continuidade às negociações entre os dois países. Uma nova reunião presencial já estaria sendo planejada, com a possibilidade de acontecer já em setembro, com a delegação chinesa indo até Washigton.

Ainda assim, e mesmo com o mercado já ciente de como as conversas caminham entre China e EUA, a aversão ao risco no mercado financeiro mundial cresceu bastante e esse é um novo dia de perdas generalizadas entre as commodities, índices acionários e moedas. Enquanto isso, o dólar volta a disparar. Somente no Brasil sobe quase 1% e chega a R$ 4,11. 

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Sergio toshihiko eko Umuarama - PR

    O que entre eles negociadores conversam tanto, se continuam sobretaxando toda a semana?

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