Mato Grosso comemora este ano 30 anos de cultivo comercial da soja

Publicado em 24/05/2010 09:46 381 exibições
Pela atividade, MT passou a ser internacionalmente reconhecido como grande produtor agrícola.
Mato Grosso comemora este ano 30 anos de cultivo comercial da soja. Nessas três décadas, o Estado avançou em pesquisa, tecnologia, descoberta de novas variedades, conquistou mercados. Mais do que isso, internacionalizou o Estado. Mato Grosso passou a ser conhecido e reconhecido como grande produtor agrícola.

Entre outros grandes feitos neste intervalo de tempo, foi principalmente, conseguir, “domesticar” a soja no cerrado e transformar o solo pobre em terras férteis e altamente produtivas. Atualmente, a soja emprega cerca de 300 mil pessoas na produção e industrialização e responde por R$ 11 bilhões do Valor Bruto da Produção (VBP).

De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), em 10 anos o PIB da soja vai dobrar, elevando ainda mais o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos municípios, fomentando a economia, gerando empregos e atraindo indústrias.

“A soja foi a âncora da nossa economia nas últimas décadas e continuará sendo a vedete do agronegócio brasileiro. O futuro é realmente promissor e o Estado ainda tem muito a ganhar com a soja nos próximos anos”, afirma o presidente da Aprosoja/MT e da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira.

Em 30 anos, a soja deu um extraordinário salto em termos de avanço tecnológico, produção e produtividade. Na série de fechamento das últimas três décadas, o Estado saiu de uma produção de 116,90 mil toneladas na safra 1979/80 para 3,689 milhões de toneladas na safra 1989/90, avançou para 8,801 milhões de toneladas na safra 1999/2000 e, na safra deste ano (2009/10), deverá chegar a 18,78 milhões de toneladas, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produtividade, que em 1980 era de 35 sacas por hectares, avançou para 55 sacas, em média, e até 70 sacas, de acordo com a variedade e o pacote tecnológico aplicado no solo. Em algumas lavouras, colhem-se até 100 sacas por hectare no Estado. “Não é comum, mas ocorre”, exclama.

Muitos municípios mato-grossenses, principalmente os que estão no eixo da BR 163, surgiram após a eclosão da agricultura em grande escala. Os principais pólos produtivos têm menos de 30 anos de emancipação política como Sapezal, colonizada pela família Maggi.

Pioneiros - Hortêncio Paro, agrônomo e pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), é reconhecido por muitos como o “precursor” da soja no Estado. Foi responsável pelos primeiros experimentos com a oleaginosa em 1977 e acompanhou o primeiro plantio comercial em Alto Taquari, em 1980 – no sul-mato-grossense, na fazenda São Carlos, do produtor Antônio Carlos Pereira Galvão. Segundo ele, este foi também o primeiro financiamento para o cultivo de soja no cerrado via Polocentro, programa de fomento do governo federal, e as variedades que mais se adaptaram ao cerrado, na época, foram a IAC-2, IAC-6 e IAC-7.

"Naquela época, as fazendas eram tudo cerrado. Foi época de abertura de terra mesmo aqui. Quando comecei a produzir, nos anos 80, plantei em torno de 150, 200 hectares. Nos anos 90 foram 500 hectares. Em 2000, 1.200 mil hectares e, agora estou com 2.600 hectares. Antes era um mundo de cerrado e hoje de soja", conta o produtor Miltor Garbugio, com lavouras em Campo Verde (139 quilômetros ao sul de Cuiabá). Nascido no Paraná, ele planta soja em Mato Grosso há 28 anos e se diz um apaixonado pela atividade.

A história de Garbugio se repete por toda a região. Ao longo das últimas décadas, a área plantada de soja cresceu principalmente nas fazendas do Centro-Oeste, pertencentes, na maioria, por produtores vindos do Sul do país.

Nos anos 80, Eraí Maggi Scheffer e os irmãos começaram a procurar terras em Mato Grosso e, aos poucos, foram comprando os primeiros hectares. Hoje o grupo conta com 30 fazendas em Mato Grosso. Somando terras próprias e arrendadas, o cultivo de soja cobriu uma área gigantesca nesta safra: 233 mil hectares. Eraí, assim como primo mais famoso, o ex-governador Blairo Maggi, já receberam os títulos de maiores produtores individuais do grão no mundo, como também, os de “reis da soja”.

Não por acaso, nos últimos anos, as principais regiões produtoras de soja passaram a atrair também novas esmagadoras, fábricas de ração, usinas de biodiesel, indústrias de alimentação e grandes projetos de criação de aves e suínos.

Muito mais - O produtor Ricardo Arioli, diretor da Aprosoja/MT, diz que o grande responsável por este salto foram os investimentos em pesquisa e tecnologia, com a chegada de novas entidades de pesquisa e a descoberta de variedades adaptadas a climas tropicais e às condições do cerrado mato-grossense. Cita, como exemplo, o lançamento recente da Soja Inox, resultado de sete anos de trabalho de pesquisa da Fundação MT/TMG que chegou ao mercado para revolucionar o conceito em tecnologia no momento em que os agricultores se deparam com o seu maior terror: a ferrugem asiática da soja. “Acho que avançamos demais nas últimas décadas, agora chegou a agora de melhorar a nossa logística para chegarmos com produtos mais competitivos em outros mercados”, frisou Arioli.

Para melhorar ainda mais a vida do Estado, que também é o primeiro na produção de algodão, a soja, na entressafra, permite a cultura de milho, aumentando o ganho dos agricultores. "A soja fixa o nitrogênio e deixa vários nutrientes no solo", explica o pesquisador Amélio Dall"Agnol.

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Diário de Cuiabá

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