Com parte da safra de soja ameaçada, RS ainda teme pelo que virá

Publicado em 09/12/2010 08:53 e atualizado em 09/12/2010 09:28 938 exibições
Cerca de 20 por cento da safra de soja do Rio Grande do Sul precisa urgentemente de chuvas esperadas no Estado para o final de semana, para que perdas possam ser evitadas.

Mas diante de previsões de escassez nas precipitações nos próximos meses, cresce a apreensão em relação a uma quebra de safra mais ampla, segundo especialistas e produtores.

"O que tem é uma ansiedade a respeito da condição futura, porque onde tem a grande concentração de grãos, na região da metade norte do Estado, a situação está confortável, digamos, teve uma boa chuva na semana passada...", afirmou o diretor-técnico da Emater-RS, Alencar Paulo Rugeri.

"Agora quanto a outras regiões, na metade sul, as dificuldades começam a ser maiores, aí são áreas onde a condição é mais difícil e está se agravando em função do La Niña", acrescentou Rugeri, funcionário do órgão de assistência técnica do governo do Estado.

A metade norte do Rio Grande do Sul, terceiro produtor brasileiro de soja, responde por pelo menos 80 por cento da produção do Estado, que colheu mais de 10 milhões de toneladas na safra passada, quando a produtividade foi muito boa. Neste ano, em meio ao La Niña, a previsão oficial é de queda para 8,5 milhões de toneladas.

Na safra 2004/05, num ano em que o Estado sofreu uma severa falta de chuva, a produção gaúcha da oleaginosa caiu para menos de 3 milhões de toneladas.

"Foi algo arrasador, mas não se espera tanto agora", pontuou o coordenador da Comissão de Grãos da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), Jorge Rodrigues. O representante dos produtores, entretanto, diz que a preocupação é grande com o clima para os próximos meses.

"A grande apreensão é a previsão anunciada pelos modelos de avaliação climática... As previsões continuam mostrando falta de chuva em janeiro e fevereiro, vai pegar a cultura em período crítico", comentou Rodrigues.

De acordo com a Emater, as regiões que mais carecem de umidade estão situadas na chamada área das Missões para o sul do Estado. Entre os municípios produtores que necessitam de chuvas estão Bajé, Santana do Livramento, São Borja, Uruguaiana, Alegrete, próximos das fronteiras com Uruguai e Argentina, onde a seca também é uma grande preocupação.

Recentemente, analistas reduziram as suas previsões de safra para o Brasil, citando problemas no Rio Grande do Sul. "A área (mais ao sul) não é representativa, mas se fosse produtor estaria não só ansioso, pois já tem perda, mas não dá pra considerar um problema para o Estado", assinalou Rugeri, lembrando que alguns produtores terão que replantar, mas para isso será necessário chuva.

Segundo a Somar Meteorologia, o Estado deverá receber chuvas em volumes razoáveis no próximo final de semana.
Diante disso, Rodrigues e Rugeri concordaram que ainda é precipitado fornecer qualquer número sobre perdas no Estado, onde o plantio segue até o final de dezembro.

MT E PR VÃO BEM
Em Mato Grosso e Paraná, os dois maiores produtores de soja do Brasil, as precipitações têm sido abundantes. "Está chovendo todos os dias em Mato Grosso e no Centro-Oeste, e isso parece que não vai mudar logo. O Mato Grosso está recebendo 30-50 milímetros a cada cinco dias, o que é suficiente para manter a safra em boas condições", declarou Celso Oliveira, da Somar Meteorologia.

Entre 13 e 17 de dezembro, boas chuvas vão se mover para o Centro-Oeste, atingindo principalmente Goiás, que deve receber 100 mm de chuva durante a semana. O Paraná também está recebendo grandes volumes de chuvas, o que até levanta algumas preocupações em relação ao fungo da ferrugem asiática.

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Fonte:
O Estado de SP

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