Soja e milho recuam na CBOT diante de relatório morno do USDA
Para a soja, o departamento manteve suas estimativas para a produção norte-americana 2010/11 de soja em 91,854 e reduziu seus estoques finais para 4,491 milhões de toneladas enquanto mercado apostava em um volume um pouco abaixo disso - 4,454 milhões de toneladas.
Além disso, o departamento ainda manteve suas estimativas para as safras brasileira e argentina e também para as importações chinesas da oleaginosa.
Por isso, mesmo com esses redução nos estoques finais de cerca de 500 mil toneladas, os preços da soja registram baixas em Chicago com a ausência de novidades significativas que pudessem estimular as cotações para uma alta, explicou o analista de mercado Ricardo Lorenzet, da XP Agro.
"Na verdade, o relatório confirma os baixos estoques norte-americanos, mas dentro das expectativas do mercado", explica.
Lorenzet diz ainda que os dados também não são positivos para o milho e para o trigo. No caso do primeiro, os estoques foram elevados para 21,134 milhões de toneladas e o USDA ainda elevou sua estimava para as importações nos Estados Unidos.
O mercado apostava que o boletim trouxesse uma expressiva redução nos estoques do cereal, entretanto, o volume veio na contramão e estimou um aumento nas reservas norte-americanas. Os participantes do mercado acreditavam que os estoques seriam reduzidos por conta da forte demanda pelo cereal por parte das usinas dos Estados Unidos para a produção de etanol. Diante dessa elevação nos estoques e dos demais dados baixistas, os preços, assim como os da soja, recuam na CBOT.
No entanto, em meio ao cenário desenhado nesta sexta-feira, Carlos Cogo, analista de mercado, afirma que o relatório não estampa o real ritmo de compras da China, que está acima do reportado hoje e que, com os dados revisados, preços podem voltar a subir. " O terreno está aberto para a soja se firmar definitivamente".
"O relatório projeta um aumento de consumo na China de 15,8% para o ano 2010/11 e de importações de 13,5%. Mas, no acumulado de janeiro a novembro de 2010, as importações subiram 31,2% e em novembro, 89,3%. E essas compras não estavam contidas no relatório de hoje, o que deverá ser revisado nos próximos", explica Cogo.
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