Soja: Pico das cotações e melhores momentos para venda passaram, aponta CBOT

Publicado em 25/04/2011 08:03 e atualizado em 28/02/2020 15:31 2763 exibições
Cotações mostram-se mais sustentáveis após queda de 6% e convencem analistas de que o teto da temporada ficou para trás.
As melhores oportunidades para venda de soja na temporada 2010/11 ficaram para trás, segundo especialistas do mercado de commodities. Depois de avançarem ao maior patamar em 17 meses e romperem a barreira dos US$ 14 o bushel (27,2 quilos) em fevereiro, as cotações internacionais da oleaginosa voltaram a trabalhar na casa dos US$ 13 neste mês e, segundo os analistas, devem apenas se sustentar até junho.

Na quarta-feira (20), num dia de alta de dois dígitos, o primeiro contrato da soja foi a US$ 13,58 o bushel na Bolsa de Chicago (CBOT), o equivalente a pouco menos de US$ 30 a saca de 60 quilos. O preço é 38% superior ao registrado nesta mesma época da safra passada, mas representa uma queda de 4% em abril e de 6% ante o pico de dois meses atrás (US$ 14,51/bu).

De acordo com os especialistas, o mercado tem encontrado dificuldades para continuar subindo quando se aproxima dos US$ 14, o que indica que o movimento de alta estaria perdendo o fôlego e que, por isso, o preço da soja já teria atingido seu teto. “As cotações devem continuar encontrando sustentação no mercado financeiro e na competição com o milho, mas não têm mais muito espaço para subir”, considera economista Gilda Bozza, analista do Departamento Técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

“É possível que o mercado tenha chegado ao limite. Há muita soja na América do Sul e, com a China cancelando e adiando compras, existem algumas dúvidas quanto à demanda”, avalia Jack Scoville, analista do Price Group, de Chicago Ele acrescenta que o clima úmido nos Estados Unidos, que atrasa o plantio do milho, alimenta especulações sobre um possível aumento no plantio de soja no país, o que seria negativo para as cotações.

“O mercado considera que, se continuar chovendo muito, não haverá tempo para plantar todo o milho planejado. Caso isso ocorra, essas áreas iriam para a soja, que pode ser semeada um pouco mais tarde”, completa Steve Cachia, analista da Cerealpar, de Curitiba. Ao contrário dos outros analistas, ele não descarta novas altas na soja. “Comparada ao milho e ao trigo, a soja é o elo mais fraco em Chicago no momento e, por isso, ainda tem espaço para subir.” Nos últimos 12 meses, os dois cereais acumulam valorização de, respectivamente, 106% e 62% na bolsa norte-americana.

Cotações domésticas

Levantamento divulgado na quarta-feira (20), pela Faep revela que, no Brasil, os preços internos seguem a mesma tendência internacional. No primeiro trimestre de 2011, as cotações domésticas da soja avançaram 32,4% na comparação com o mesmo período de 2010, enquanto as do milho subiram 54,9%. O trigo, que tem preço ligado à relação entre oferta e demanda no mercado doméstico, teve alta de apenas 7,1%.

Soja: Agricultores seguram vendas à espera de reação no mercado

Produtores estão preocupados com a soja colhida entre fevereiro e março. Para uma família, os 700 hectares renderam quase duas mil toneladas, mas apenas 35% foram comercializados antecipadamente. O restante está armazenado em um silo esperando a melhora no mercado.

Muitos agricultores aguardam a reação dos valores pagos pela soja. Em uma cooperativa em Dourados, sul de Mato Grosso do Sul, aproximadamente 21 mil toneladas estão estocadas. O gerente já decidiu, só vai comercializar os grãos depois que o preço voltar a subir. “O frete ainda está um pouco alto, vamos aguardar mais um pouco”, conta Antônio Nishimura.

Em aproximadamente 30 dias, a soja acumula uma desvalorização de 16%. O grão que estava sendo vendido a R$ 45 a saca de Mato Grosso do Sul em março, hoje está custando em média R$ 37.

Por causa dos problemas climáticos, Mato Grosso do Sul produziu quatro milhões e 900 mil sacas de soja, queda de 7% em relação à safra anterior.

O aumento da oferta é por causa do fim da colheita nos grandes estados produtores e a diminuição da demanda nos mercados internacionais. A queda no valor da saca já era esperada pelos especialistas. Para os produtores que venderam apenas uma parcela de grãos antecipadamente, a hora é de planejar a venda para aproveitar o melhor momento.

O economista Leonardo Mussury explica que a safra norte-americana começa a ser plantada em maio e será decisiva no preço da soja no mercado internacional. “São muitas variáveis, mas ainda acredito na relação oferta X demanda. Se acontecer qualquer problema na safra americana, o segundo semestre deve ter mercados melhores da soja”.

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Fonte:
Gazeta do Povo + Globo Rural

1 comentário

  • Valter Antoniassi Fátima do Sul - MS

    Concordo com o Sr.Nishimura,para quem não vendeu ainda,precisa ficar atento que logo pode haver novas altas,pois a seis meses todos falavam que o mercado não passaria de 9 U$ o bushel,portanto acredito numa melhora,ou seja em 2008 eu tinha soja armazenado nesta coperativa onde vendi no final de junho daquele ano a R$ 48,00 livre ,sendo que o bushel estava 16 U$ e o U$ estava 1.56...

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