Soja de Roraima alcança ótimos índices de produtividade

Publicado em 26/07/2011 09:14 e atualizado em 27/02/2020 09:18 1164 exibições
O campo experimental da Embrapa Empresa Brasileira de Pesquisa Agropcuária (Embrapa) em Água Boa, nos arredores de Boa Vista, trabalha hoje no aprimoramento do tipo de soja mais indicado para o estado de Roraima. Cento e vinte variedades, resultado de diferentes cruzamentos, estão sendo testadas lái. Na manhã de sexta-feira, 22, o governador em exercício, Chico Rodrigues, visitou a área, na companhia de técnicos da empresa.

A Embrapa faz experiências com soja convencional e transgênica. Hoje, toda a soja cultivada no estado é de variedades convencionais. A opção pelo grão com alterações genéticas já é comum à maioria dos estados brasileiros que planta soja. Em Roraima, os próprios produtores convencionaram que deveriam cultivar espécies convencionais com maior índice de produtividade.

Roraima tem atraído produtores de soja do Sul e do Centro-Oeste do País, que veem no estado a possibilidade de plantio na entressafra dos seus estados. O grande problema aqui era a regularização das terras, mas essa é uma questão que vem sendo resolvida pelo governo e que levou um grupo de empresários radicado nos municípios de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, no Mato Grosso, a decidir investir aqui, já a partir do próximo ano.

A soja produzida em Roraima tem um dos mais atos níveis de proteína. Outra vantagem do estado é que, apesar de ter um solo pouco argiloso, a quantidade de chuvas e a luminosidade maior, durante todo o ano, leva a um índice de produtividade que está entre os maiores do Brasil.

Enquanto a média do País varia entre 50 e 55 sacas por hectares, aqui se produz 65 sacas. No caso da soja transgênica, ainda não explorada comercialmente, esse número saltaria para 75 sacas por hectare, muito acima da média nacional.

O campo experimental de Água Boa trabalha, também, no aprimoramento genético de espécies de feijão e de milho, e de outras espécies vegetais, com vistas ao aumento dos índices de produtividade. Os cruzamentos tentam buscar tipos de plantas que melhor se adequem à região, de clima quente, na faixa equatorial, de latitudes mais baixas.

O estado de Roraima produz soja nas áreas de campos gerais, aqui conhecidas como lavrados, sem impacto ao meio ambiente. Este ano, a safra prevista é de 7 mil hectares, mas os números são otimistas para o próximo ano, quando apenas um grupo de empresários do agronegócio no Mato Grosso pretende desenvolver um projeto experimental de 10 mil hectares e instalar uma esmagadora de grãos, para vender o produto com valor agregado.

A Embrapa de Roraima trabalha com a meta de atingir o que se considera ótimo no País, que é a produção de 6 toneladas de soja por hectare. Hoje, o estado consegue, em algumas áreas, produzir 5 toneladas por hectare, um número que também está entre os melhores do País, alcançados na região de Cascavel, no meio-Oeste do Paraná.

Há vinte anos, segundo dados da Embrapa, a média de produção de soja por hectare, no Brasil, era inferior a 40 sacas. Hoje, se Roraima decidisse por plantar soja transgênica, praticamente atingiria um índice 100 por cento maior que esse. A empresa também tem a preocupação, no campo experimental de Água Boa, de desenvolver espécies mais resistentes à ferrugem, ao cisto e a hematóides. Já tem conseguido isso.

O solo, no campo experimental de Água Boa, tem 12 por cento de argila. Nos melhores solos do País, esse percentual fica próximo dos 70 pontos. O índice é atingido na região de Cascavel, Paraná, mas a média dos solos bons gira em torno dos 40% de argila. Em Roraima, apesar de as terras serem mais arenosas, a pluviometria, a amplitude térmica (variação de temperatura) e a alta luminosidade, de até 12 horas por dia, compensam e fazem com que a produtividade seja superior à média nacional.

Quando se começou a plantar soja em Roraima, há cerca de dez anos, a produção por hectare ficava em torno de 25 sacas. A escala de aumento dos índices de produção tem sido gradativa. Na Embrapa, o otimismo dos técnicos dedicados ao projeto preveem que o estado possa produzir até 85 sacas por hectare, à medida que as pesquisas de variedades avancem e que o solo seja corrigido em extensões maiores. No campo de Água Boa, gasta-se 1,5 tonelada de calcário para corrigir um hectare de terra.

Tags:
Fonte:
BV News

1 comentário

  • EVERTON OBERTO Panambi - RS

    Já estive em Boa Vista/RR em três oportunidades, sempre no mê de Setembro, na colheita. Fico admirado com as terras que este Estado possui e a capital, pois conheço quase todo o territorio Nacional e para mim Boa Vista é uma cidade que oferece tudo para voce viver bem e ter oportunidade para trabalhar..., é a Bola da vez, junto com Paragominas e Tocantins. Unica coisa que fico me perguntando o porquê a agricultura não se desenvolve em Roraima. Cidades como Paragominas e Palmas estão em pleno desenvolvimento agricola, trazendo para suas cidades enormes beneficios para sua população e municipio. Para mim o maior entrave está no custo/ha e o escoamento da produção, pois sei dos entraves que existe neste estado.

    0