Chuva atinge MT em baixo volume e não é suficiente para deslanchar plantio de soja

Publicado em 15/09/2011 11:31 e atualizado em 15/09/2011 18:24 499 exibições
Chuvas atingiram importantes regiões agrícolas de Mato Grosso nesta quarta-feira, mas os volumes registrados ainda são insuficientes para impulsionar o plantio de soja em 2011/12 no maior produtor brasileiro da oleaginosa, de acordo com agricultores e meteorologistas. Embora haja relatos de que alguns poucos produtores já estão se arriscando a plantar, mesmo sem previsões de novas chuvas até o final do mês, a grande maioria só deve semear quando as precipitações se tornarem mais constantes. "Já existem pessoas plantando, pouco mas tem. O pessoal brinca que é só pra regular a plantadeira", disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar Meteorologia. 

O plantio em Mato Grosso, o primeiro a iniciar a semeadura no Brasil, começa oficialmente na quinta-feira com o fim do vazio sanitário que proíbe o cultivo de soja por 90 dias, medida para evitar a propagação do fungo da ferrugem --mas desde que o grão não tenha emergido pode ser plantado antes do prazo ser encerrado. "As chuvas estão ocorrendo hoje, deixando o pessoal em polvorosa (para plantar). Mas o grande problema é que só volta a chover no final do mês", acrescentou Santos. 

Isso faz com que poucos se arrisquem a semear no Estado após um período de severa seca de mais de cem dias em algumas áreas. Após semeada, a soja precisa contar com umidade para se desenvolver. "Tem um risco para quem está plantando, a semente aguenta no máximo 10, 12 dias sem chuva. Se não chover, é um risco... E é muito pouco provável ocorrer chuva até o final do mês, só deve regularizar no início de outubro", declarou Santos, que está em Rondonópolis, mais ao sul do Estado, onde chuvas em baixo volume foram registradas. 

No ano passado, sob influência do fenômeno La Niña, as chuvas demoraram mais que o normal para chegar em Mato Grosso, fazendo com que os produtores iniciassem o plantio somente em meados de outubro, trazendo consequências para o mercado internacional, especialmente para aqueles que contavam com a soja brasileira da nova safra nos portos de exportação já em janeiro. "O que está limitando agora é a chuva. Choveu a gente começa. Mas se não tiver chuva que recomponha a umidade do solo, enquanto não tiver a chuva mais parelha, o produtor tende a aguardar", disse o diretor-executivo da Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), Seneri Paludo, que ainda não identificou produtores plantando em 11/12. 

De acordo com o agrometeorologista, choveu também nas regiões dos municípios de Sapezal e Lucas do Rio Verde, tradicionalmente os primeiros a semear a oleaginosa no Estado. Os primeiros produtores a plantar soja serão aqueles que se planejaram para realizar a segunda safra com algodão, que por sua vez precisa ser plantado no mais tardar no início de janeiro para receber bons volumes de chuvas e produzir de forma satisfatória. 

-- "Alguns produtores mais apressadinhos, que têm expectativa de fazer algodão safrinha, já devem estar iniciando o plantio de hoje para amanhã", disse o agricultor Helmute Lawisch, de Lucas. Lawisch, que optará pelo milho na segunda safra, vai aguardar um pouco mais para plantar a soja, até porque há mais tempo para semear o cereal na safrinha do que a pluma --o milho pode ser plantado entre o final de janeiro e início de fevereiro. "Essa chuva não é suficiente ainda, tem que aguardar um pouco, se chover hoje à noite... Temos de ir devagar, não tem previsão, não dá para arriscar", afirmou Claudio Carmelucci, também produtor em Lucas. José Guarino Fernandes, com propriedade em Sapezal, disse que embora tenha chovido pouco, entre 5 e 10 milímetros, há produtor plantando soja para fazer posteriormente a safrinha de algodão. "A minha previsão é começar no final do mês, agora é muito arriscado."
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Fonte:
Reuters

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