Fundos voltam a comprar, soja fecha em alta e recupera os US$ 12

Publicado em 11/10/2011 17:41 844 exibições
O mercado de grãos teve um desempenho surpreendente nesta terça-feira na Bolsa de Chicago. Às vésperas do relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a soja fechou o dia com quase 60 pontos de alta, o trigo com quase 50 e o milho no limite de alta.

O principal fator de sustentação para as cotações nesta segunda-feira foi a volta dos compradores ao mercado. Com as recentes baixas dos preços, os consumidores aproveitam as oportunidades e os preços mais atrativos para garantir seu produto e alguns consumos a frente

"A demanda viu os preços mais baixos e voltou ao mercado", disse o analista de mercado Glauco Monte, da FCStone. Como explicou Monte, essa movimentação do mercado hoje foi bastante atípica na véspera da divulgação dos números que devem ser determinantes para as negociações nas próximas sessões. Há rumores até de que a China estaria de volta às compras, disse o analista.

Além disso, o apetite dos compradores não é o único. Os fundos de investimento também retornam às commodities agrícolas favorecendo as altas registradas hoje no complexo de grãos. O objetivo agora é a cobertura de posições vendidas. A esperad do relatório do USDA, os traders almejam um posicionamento mais favorável, já que o que se observou nos últimos dias foi um mercado bastante sobrevendido.

O movimento reflete a necessidade dos investidores de saírem de suas posições vendidas e irem para as compradas, uma vez que espera-se uma nova pressão negativa nos preços com as expectativas de aumento da produção, produtividade e estoques de soja nos Estados Unidos. Até meio-dia de hoje,  mais de 165 mil contratos de milho/dezembro e mais de 150 mil de soja/novembro já haviam sido operados.

Um novo sinal de aquecimento da demanda e a volta dos fundos ao mercado fez com que os grãos hoje pudessem driblar a alta do dólar e um mercado financeiro em estado de alerta.

A orientação de Glauco Monte aos produtores  foi de que os produtores aproveitem esses momentos de alta para realizar algumas compras, haja visto que a crise na zona do euro não está sanada e os dados do USDA podem trazer uma nova pressão ao mercado da soja.

Afinal, para o milho, a expectativa dos agentes é de um corte na safra norte-americana, motivo que favoreceu a alta do cereal em Chicago nesta terça-feira. Além disso, os preços do grãos ainda foram favorecidos por uma venda de mais de 260 mil toneladas dos EUA para o México reportada pelo USDA.

Mercado interno - Os preços da soja no mercado interno não refletiram as expressivas altas registradas na CBOT. Segundo explicou Daniel Latorraca, gestor do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), o mercado doméstico no Mato Grosso está caminhando "com suas proprias pernas" e hoje não acompanhou o avanço de Chicago, se mostrando bem descolado, menos sensível à movimentação internacional.

Inclusive, a soja deu até sinais de uma tendência de baixa, mesmo que sazonal, por conta da época esvaziamento dos armazéns no estado.
 
No Rio Grande do Sul, as cotações hoje tiveram uma pequena reação, porém, nada comparado ao visto na bolsa norte-americana. "O mercado não está muito ávido para comprar pois as indústrias estão com dificuldades para vender e por isso, a demanda está ligeiramente menor. Eles não estão comprando", disse o gerente comercial de grãos da Cotrijal, cooperativa agrícola de Não-Me-Toque/RS, Irmfried Schmiedt.

Apesar desse reflexo pouco expressivo, Schmiedt disse ainda que a alta de Chicago "é uma alegria", pois trata-se de um sinal de que os preços já possam estar sinalizando uma recuperação da forte baixas dos últimos dias.

Veja como ficaram as cotações dos grãos nesta quarta-feira:

>> SOJA

>> MILHO

>> TRIGO

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

0 comentário