`Bom é que hoje minha filha não quer mais ser cortadora´

Publicado em 01/02/2010 06:48 762 exibições
Quando "montou" pela primeira vez em uma máquina de colher, a ex-cortadora de cana, Isaura Freitas de Souza, de 38 anos, pensou que não ia conseguir aprender. O tamanho da engenhoca e a quantidade de botões a intimidaram. Depois de 21 anos de lida no canavial, Isaura foi convidada pela usina onde trabalha, pertencente ao grupo Cosan, para fazer um curso de operador de colheitadeira.

Há dois anos ela exerce a nova profissão, com salário até três vezes maior para um trabalho que exige esforço, mas infinitamente menor do que o de cortar cana. "O bom de tudo isso é que hoje minha filha não quer mais ser cortadora de cana. Quer operar máquina", comenta Isaura sobre os planos de sua primogênita, de 12 anos.

Desde a safra 2006/07 foram 30 mil vagas de cortador de cana fechadas somente em São Paulo - que atualmente emprega 140 mil trabalhadores na função. No próximo ciclo, esse número não vai cair, mas 10 mil vagas deixarão de ser criadas porque os projetos novos que entrarão em operação já nascem mecanizados. "Em torno de 20% do contingente total será reabsorvido pela mecanização", diz Eduardo Leão de Sousa, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O treinamento pelo qual Isaura passou é um dos cerca de 154 programas desenvolvidos pelas usinas do Centro-Sul que já existiam em 2008, quando a Unica fez seu primeiro levantamento socioambiental. Apesar do esforço para conter o impacto social do fim do corte manual, os programas têm limitações. "Quanto mais escolaridade o cortador tem, mais chances ele tem de crescer na usina", afirma Luiz Veguin, diretor de Recursos Humanos do grupo Cosan.

A Unica, juntamente com o governo de são Paulo e associações de trabalhadores rurais iniciam em fevereiro um amplo programa de treinamento, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para qualificar tanto cortadores que estão nas usinas quanto os que já saíram do mercado, com meta de qualificar 7 mil pessoas por ano.
Fonte:
Valor Econômico

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