Ferrugem na cana

Publicado em 23/03/2010 09:12 491 exibições
A ferrugem alaranjada da cana, que chegou a São Paulo ano passado, já se espalhou para outras regiões. O CTC, Centro de Tecnologia Canavieira, está monitorando o avanço da doença.

De um lado, um plantio de cana cheio de manchas, com aspecto doente. Está contaminado pelo fungo da ferrugem alaranjada da cana. Há apenas dois metros fica o outro sadio, com folhas verdes e bonitas. Como é possível um canavial não contaminar o outro?

O Campo Experimental do CTC, Centro de Tecnologia Canavieira, fica no município de Piracicaba, em São Paulo. Pesquisadores selecionam variedades resistentes à ferrugem alaranjada da cana, doença provocada pelo fungo puccinia kuehnii. Ele forma pústulas, que são manchas alaranjadas que cobrem a folha e que causam prejuízos ao desenvolvimento da planta.

“A ponta das folhas já mostra necrose. Então, já está morrendo o tecido causado pela ferrugem alaranjada. Isso com o tempo levará à morte a folha toda”, esclareceu Enrico de Beni Arrigoni, coordenador de pesquisa tecnológica do CTC.

Segundo os pesquisadores, a ferrugem alaranjada da cana existe na Ásia e Austrália desde o século 19. Em 2007 foi encontrada em canaviais dos Estados Unidos e se espalhou pelo México e por vários países da América Central. Hoje, está presente em vários municípios do Brasil. A maior parte está no Estado de São Paulo, maior produtor de cana do país.

O coordenador de pesquisa do CTC, Enrico de Bebi Arrigoni, explicou que o Brasil tem cerca de 80 variedades de cana-de-açúcar e que destas apenas quatro pegam facilmente a doença. São as chamadas variedades susceptíveis. “São a RB 72454, a SP 891115, a SP 842025 e a CV 14 já definidas como variedades suscetíveis”, detalhou.

De acordo com o pesquisador, as quatro variedades ocupam cerca de 12% da área cultivada com cana no Brasil. Para monitorar o avanço da doença, amostras de folhas de cana-de-açúcar estão sendo enviadas para o laboratório do CTC. O objetivo é identificar os locais onde a ferrugem está presente e traçar estratégias para frear o avanço da doença.

O diagnóstico positivo aparece principalmente no interior de São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. No centro é feito o mais completo exame do país para se detectar a doença. Um trabalho realizado em três etapas.

A primeira análise é visual. São avaliados o relevo e a cor das manchas nas folhas. A segunda é no microscópio. Os pesquisadores analisam os esporos, partículas que seriam as estruturas de reprodução do fungo. O último exame, o mais preciso, é o chamado de PCR. Uma parte da amostra é misturada a enzimas para uma reação química. O material vai para a máquina que faz a multiplicação genética do fungo. A próxima etapa é transferir a amostra para um gel onde impulsos elétricos trazem pontos luminosos que ajudam os cientistas a enxergar o fungo. O laboratório tem feito até 50 análises por dia.

“Só com o diagnóstico correto que a gente pode encaminhar resultados para o produtor. Por outro lado, a gente forma um banco de dados sobre a ocorrência. E a partir desse banco de dados a gente pode direcionar recomendações aos produtores”, concluiu Aragoni.

Por enquanto não há nenhum agrotóxico liberado pelo Ministério da Agricultura para o combate da ferrugem da cana.
Fonte:
Globo Rural

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