Grupos internacionais sondam comprar mais 6 redes de revendas no Agro brasileiro

Publicado em 19/04/2017 15:59 e atualizado em 19/04/2017 17:13
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A concentração da comercialização está avançando rápido no interior do País, depois das aquisições da Fiagril e AgroAmazonia(no centro-oeste) por grupos chineses e japoneses. Também investidores de grandes fundos, além de indianos, procuram fechar aquisições de distribuidoras estratégicas, objetivando não só concorrer no ramo de insumos mas principalmente para aumentar a originação de grãos.
Confira a entrevista com Gilson Provenssi

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Gilson Provenssi - Pres. Cearpa MT Conselho Estadual das Revendas de Produtos Agropecuári

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A entrada de grupos internacionais no Brasil, que visam adquirir revendas importantes de insumos no país, deve mudar os rumos da comercialização de insumos agrícolas nos próximos anos. Essas empresas já entraram em vários estados e possuem interesse tanto em entrar nesse ramo como na originação de grãos de soja e milho, por meio das operações de barter.

De acordo com Gilson Provenssi, presidente do Conselho Estadual das Revendas de Produtos Agropecuários (Cearpa), do Mato Grosso, a tendência já segue no mercado há cerca de três a quatro anos e está se concretizando. Essas compras vêm em diversas formas, desde multinacionais adquirindo distribuidoras até fundos de investimento comprando para obter ganho no negócio e depois tentar vender para os investidores estrangeiros.

Em um primeiro momento, segundo Provenssi, isso ainda não gerou grandes impactos. No entanto, para as empresas que ainda não se organizaram e não possuem um padrão mínimo em sua comercialização, este movimento pode ser perigoso. Para as empresas que estão mais organizadas, "talvez não seja uma ameaça muito grande", como avalia o presidente.

O grande temor, portanto, é que essas empresas tenham acesso a um crédito mais barato, com financiamento subsidiado. Assim, as outras revendas poderiam perder eficiência na questão financeira, gerando uma concorrência "desleal".

A concorrência poderá derrubar os preços e, para o agricultor, essa cenário poderia seria melhor. Provenssi lembra que "quanto mais concorrência, mais força o preço para baixo". Por outro lado, as grandes fusões também enxugam a disponibilidade de fornecedores de insumos no Brasil e no mundo.

O estado do Mato Grosso agrega mais de 200 revendas. Até o momento, não há ainda impacto nos preços e o presidente acredita que isso deve acontecer apenas a partir de 2018. Ele lembra que essa é uma tendência que já passou por outros setores como o farmacêutico, de combustíveis, de supermercados e que não é uma exclusividade do mercado agrícola. Para ele, essa tendência deve ser encarada e, caso o distribuidor não for vender seu negócio, ele deve se preparar para um planejamento estratégico e participar desse mercado, que será mais profissional.

Operações de barter

Atualmente, as revendas financiam mais de 50% da safra agrícola do Mato Grosso. Na visão de Provenssi, as operações de barter são "a melhor modalidade de negócio, principalmente quando se fala de Plano Safra". O produtor faz seu custo médio e sabe quanto deve em saca ou arroba, se preocupando mais em produzir do que nos preços para cumprir seus compromissos. Ele acredita que o barter "vai continuar sendo, pelo menos nessa próxima década, a melhor forma de se fazer negócio".

Os custos para a próxima safra, em média, dependendo da região na qual está o produtor e seu nível de investimento, estão entre 20 a 25 sacas de soja.

 

Por: João Batista Olivi e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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