Monsanto analisa futuro da Intacta após contestação de patente pela Aprosoja-MT e relato de ataque de lagarta em GO

Publicado em 06/12/2017 17:10 e atualizado em 07/12/2017 16:09
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Por Aleksander Horta, do NA

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O presidente da Monsanto na América do Sul, Rodrigo Santos, conversou com o Notícias Agrícolas para falar sobre o futuro e os investimentos da empresa, bem como os passos para o ano de 2018.

Um dos pontos abordados foi a fusão da Monsanto com a Bayer, que depende de agências regulatórias no Brasil e no mundo para se tornar realidade. Segundo o presidente, essa questão continua sendo trabalhada e a expectativa é que, no começo do próximo ano, o processo de integração tenha início. Contudo, até que haja uma aprovação, ambas atuam como empresas separadas.

Após a fusão, o desafio é aumentar, em conjunto, a produção de alimentos no Brasil na mesma área que existe hoje, ampliando os investimentos na agricultura e transformando o país em um polo de difusão de agricultura tropical para o mundo.

A previsão da Monsanto é continuar os investimentos anuais de US$1,6 bilhão para 2018, com foco na inovação, na tecnologia e na agricultura digital e especial destaque para as culturas da soja, do milho e do algodão.

O braço de agricultura digital da Monsanto, que é o mais recente no país, vem com o objetivo de contribuir com dados para que o produtor possa produzir mais e ter um melhor aproveitamento de seu negócio. Com isso, Santos diz que os investimentos irão continuar para que este seja mais um componente de grande importância da empresa, com a possibilidade de potencializar os negócios já existentes.

Intacta RR2 PRO

Frente ao processo movido pelos produtores de soja do Mato Grosso para o cancelamento da patente da Intacta RR2 PRO, Santos diz que a empresa tem confiança na propriedade intelectual dessa tecnologia e que a Intacta é "uma inovação importante e os agricultores entendem isso". Ele também salienta que a empresa conta com 170 mil agricultores utilizando a tecnologia em mais de 22 milhões de hectares nesta safra.

No caso específico de Chapadão do Céu (GO), onde foi identificada uma suposta resistência da helicoverpa armigera a esta tecnologia, equipes técnicas e científicas trabalham para entender o que ocorreu e, assim que todos os dados foram obtidos, será possível destacar o caso de forma mais conclusiva, diz o presidente.

 

Monsanto está confiante sobre disputa de patente no Brasil, diz chefe na América do Sul (Reuters)

A companhia norte-americana Monsanto está confiante que os tribunais brasileiros manterão sua patente da semente de soja Intacta RR2 PRO a despeito de um pedido de cancelamento feito por produtores do Mato Grosso, disse nesta quarta-feira o chefe de operações da companhia para a América do Sul, Rodrigo Santos.

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o órgão responsável por patentes, usou critérios rigorosos para patentear a tecnologia, disse o presidente-executivo das operações da Monsanto na América do Sul.

"Nós temos confiança de que o sistema judiciário brasileiro reconhecerá nosso direito à propriedade intelectual", disse Santos, referindo-se à Intacta, durante um evento em São Paulo. "Nós temos proteção de patente para a tecnologia Intacta em muitos outros países que têm agências regulatórias muito criteriosas para avaliar."

Neste ano, cerca de 170 mil produtores brasileiros adotaram a tecnologia de sementes geneticamente modificadas Intacta, disse ele. Na América do Sul, a área que utiliza a tecnologia é estimada em 22 milhões de hectares, acrescentou.

Produtores de soja do Mato Grosso pediram a um tribunal em novembro o cancelamento da patente da Intacta RR2 PRO da Monsanto no Brasil, alegando irregularidades, incluindo o suposto fracasso da companhia em provar que a mesma traz alguma inovação tecnológica.

Essa é a segunda vez que produtores do Mato Grosso desafiam a Monsanto no Brasil. Em 2012, a associação de produtores Aprosoja alegou que a companhia estava cobrando royalties sobre seu produto Roundup Ready, cuja patente havia vencido dois anos antes.

Após disputas legais, alguns produtores concordaram em receber um desconto para usar a mais recente tecnologia Intacta, encerrando o caso.

Os comentários de Santos ressaltam o ambiente de negócios desafiador do Brasil, o segundo mercado mais importante da companhia após os Estados Unidos.

Em 22 de novembro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste do Brasil, estendeu seu prazo para avaliar a compra da Monsanto pela Bayer em 90 dias, até o fim de março, atrapalhando os planos de fechar a transação até o fim do ano.

Santos disse nesta quarta-feira que as companhias esperam a conclusão das análises regulatórias de seu acordo de 66 bilhões de dólares no início do próximo ano, mas ele não quis ser específico. A combinação das duas empresas foi aprovada em 12 países, mas não na Europa, Estados Unidos e Brasil, que são considerados mercados chaves, disse.

No Brasil, produtores de soja pediram formalmente que o Cade force a venda dos registros, patentes e marcas da Monsanto associadas à tecnologia Intacta. Mas a Monsanto disse que quer manter os direitos sobre essa tecnologia.

MENOR ÁREA DE MILHO E SOJA

Uma possível redução de investimentos na safra de milho de inverno do Brasil, a principal do país, poderá impactar o volume da colheita brasileira, disse Santos mais cedo durante o mesmo evento.

Ele lembrou ainda que o ritmo mais lento do plantio da safra 2017/18 de soja --colhida antes da semeadura da safra de inverno de milho nas principais regiões produtoras-- poderia impactar a área plantada do cereal.

Alguns produtores podem desistir de plantar o milho de inverno, se o plantio ocorrer fora da janela climática ideal, segundo especialistas.

Santos ainda citou uma queda na área plantada de milho no verão como fator de baixa para a safra do Brasil, o segundo exportador global do cereal. Ele comentou sobre uma possível queda de 20 a 30 por cento na área de plantio.

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Fonte: Por Aleksander Horta/NA/Reuters

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