Brasil fortalece imagem do agro com acordos comerciais, busca de investimentos e sustentabilidade

Publicado em 14/11/2019 08:22 e atualizado em 14/11/2019 10:46
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Relações do país estão cada vez mais próximas com economias importantes com os EUA e a China, além dos demais países do Brics. Objetivo das instituições de classe é estar cada vez mais presentes em nações compradoras ou concorrentes.
Luiz Cornacchioni e Marcos Fava Neves - CEO da ABAG e Professor da Faculdade de Administração USP e FGV

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Entrevista com Luiz Cornacchioni e Marcos Fava Neves sobre a Imagem do Agro Brasileiro

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Construir uma agenda baseada no diálogo, convergência de ideias, esclarecimento de dúvidas e desmistificação de notícias falsas sobre o Brasil no exterior é algo necessário para fazer o agronegócio brasileiro prosperar fora das fronteiras, de acordo com Luiz Cornacchioni CEO da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Cornacchioni e o professor doutor Marcos Fava Neves, professor das faculdades de administração da USP e FGV e especialista em planejamento do agronegócio, participaram na última quarta-feira (13) do evento “Diálogo sobre Alimentação e Agricultura Sustentável: um Modelo Baseado na Ciência”, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) em Washington, D.C., e comentam sobre a importância de levar uma imagem positiva do Brasil ao exterior como ferramenta facilitadora de acordos comerciais.

Segundo Neves, foi importante levar aos jornalistas e demais participantes do evento questões como tecnologia, política, oportunidades, e desmistificando assultos sobre o país divulgados de maneira equivocada como, por exemplo, queimadas na Amazônia, privatizações, e o cenário da agricultura brasileira hoje. "É importante que estes jornalistas nos utilizem como contato para obter informações corretas ou para levar até fontes que tenham os dados adequados para ajudar nas reportagens", disse.

Cornacchioni explica que o projeto da Apex de levar este tipo de evento já vem sendo feito há cerca de um ano em diversos países, sempre com o objetivo de levar informações corretas sobre o Brasil e uma boa imagem de todos os produtos que são exportados, não apenas aqueles relacionados ao agronegócio. Estramos num momento importante novo governo, estamos andando e fazendo resultados positivos em outros países. Você melhorando a imagem, esclarecendo as dúvidas baseados na ciência, é melhor para acordos comerciais. Precisamos participar mais de eventos, negociações, emissões, levar as pessoas que sabem falar das coisas", afirma.

Entre os pontos discutidos no painel do qual Neves participou, estão temas como por exemplo, como o brasil fará frente a todo esse crescimento da demanda mundial que vai acontecer da China e da África. Em 10 anos nós vamos precisar agregar 10 milhões hectares, vamos para 85 milhões de hectares de area cultivada. Isso é só 10% da área cultivada do Brasil, então tem que tomar cuidado quando dizem que tá acabando com tudo, que é monocultura, sendo que 90% tem outras coisas, que não a cultura de grãos". O professor explanou também a respeito do código florestal, trabalho de sustentabilidade, como a tecnologia vem sendo aplicada pelas cooperativas para o pequeno produtor. 

De acordo com ambos, o assunto da moratória da soja não surgiu nem durante os painéis de discussão, nem durante a coletiva de imprensa. "Essa questão da moratória, acho que todo acordo merece sempre uma revisão, como foi feito do zoneamento da cana. Como o momento muda é importante que as partes sentem e entendam onde é que isso é necessário, e não é necessário que seja regra para todos, porque são exigências distintas para cada mercado. É importante a flexibilização, a rediscussão e a regionalização", disse Neves.

ACORDOS COMERCIAIS

Neves afirma que esse impasse no fechamento de acordos comerciais entre Estados Unidos e China tem beneficiado o Brasil, sobretudo durante a crise da Peste Suína Africana, que atingiu em cheio o país asiático. 

O recrudescimento de questões ambientais tem formado uma nova geração de consumidores, de acordo com Cornacchioni, o que vai demandar que o Brasil se adapte à tendência. "O consumidor está olhando pra isso, e logicamente o agro brasileiro tem competência, e teremos uma curva de aprendizado para atender isso, não será de forma abrupta. Nós temos a academia, institutos de pesquisa, produtores competentes que irão impulsionar isso".

Cornacchioni afirma que é "adepto de acordos" poruqe são medidas que estabelecem regras básicas. Segundo ele, o agronegócio é de capital intensivo, com farores determinantes como previsibilidade e segurança jurídica. "Quanto mais seguro o ambente de negócio, melhor para os investimentos, retornos, ambiente de mercado". 

EXPECTATIVAS PARA 2020

Para o ano que vem, Neves diz que as perspectivas são boas, com previsão de crescimento do mercado intetrno e externo com a adição de uma situação inédita, que é juros e inflação baixos, o que deve mudar a forma de negócio no país. "Produtores precisam investir na construção de margens. Se ele receber agora um pouco mais pelos grãos, deve tentar limpar as dívidas, e a minha recomendação é que ele não tire o dinheiro da agricultura agora, que fique mais competitivo para poder construir maior margem para ter em algum momento que não for bom".

Por: Carla Mendes e Letícia Guimarães | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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