Com exportação se mantendo nos atuais níveis e uma demanda interna mais aquecida, consultoria prevê escassez de algodão

Publicado em 09/09/2016 12:58 e atualizado em 09/09/2016 15:52
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Oferta atual de algodão atende contratos fechados antecipadamente. Compradores aguardam melhor momento para voltar ao mercado

Mesmo diante do período de colheita do algodão nas principais regiões produtoras, o mercado vem registrando um desequilíbrio entre oferta e demanda neste ano.

Na safra 2015/16 os problemas climáticos prejudicaram a produção no Mato Grosso [com redução de 20%] e Bahia [entre 40% a 50% menos]. Segundo o analista da FCStone, Éder Silveira, "geralmente a Bahia começa a colher primeiro, com um volume que costuma ser suficiente até que a colheita no Mato Grosso engrene."

No entanto, neste ano a quebra no estado nordestino foi expressiva, e o Mato Grosso também registrou atraso na colheita, tendo como consequência um menor volume da pluma disponível no mercado.

Além disso, Silveira lembra que já havia uma expectativa de que "os primeiros lotes colhidos fossem utilizados para cumprir contatos antecipados, dado o volume de barter que foi feito na safra [em substituição da escassez de crédito]".

Diante desse cenário, a comercialização de algodão em pluma está enfraquecida neste início de setembro, já que os compradores aguardam melhor momento para voltar ao mercado.

O último levantamento de safra da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimou a produção da safra 2015/16 em 1,3 milhão de toneladas, um decréscimo de 15,6% em relação à temporada anterior.

Somado a isso, houve um aumento na demanda interna por conta do inverno mais rigoroso neste ano. Portanto, "mantendo essas projeções [de oferta e consumo], teríamos algodão para no máximo quatro meses, na entressafra", alerta o analista.

Dessa forma, Silveira considera que será preciso realizar um "ajuste no preço para segurar a pluma no mercado doméstico". Na quinta-feira (8) o Indicador Cepea/Esalq para o algodão fechou R$ 2,46/lp.

Até o final deste ano, se a demanda interna se manter em alta, e os preços na Bolsa de Nova York não caírem significativamente, o analista afirma "que com esse problema de escassez no Brasil, poderemos ver o preço voltando à casa do R$ 2,50/lp."

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Por: Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

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