Para consultoria, boi ficou igual em 2018, perdendo e ganhando 5% em cada semestre, e indica mudança de ciclo de preço

Publicado em 24/12/2018 08:35 e atualizado em 26/12/2018 08:22
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Oferta derrubou os preços de janeiro a junho, contrastando com a queda no segundo. Consumo não teria sido ruim. Retenção de fêmeas foi grande e bezerro mais caro para 2019. E expectativa de consumo melhor e exportações com novo upgrade.
Alcides Torres - Scot Consultoria

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Para consultoria, boi ficou igual em 2018, perdendo e ganhando 5% em cada semestre, e indica mudança de ciclo de preço

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Neste ano de 2018, o mercado do boi gordo foi marcado pela queda nas cotações no primeiro semestre e a alta no segundo semestre, a mudança de ciclo de preços e a greve dos caminhoneiros.  Ao contrário do que se pensava o consumo não foi tão ruim neste ano.

De acordo com o Diretor-fundador da Scot Consultoria. Alcides Torres, o cenário da pecuária em 2018 foi mais calmo se comparado com os anos anteriores. “A cotação da arroba boi em valores nominais caiu 5% a grosso modo no primeiro semestre, porém subiu 5% no segundo semestre”, afirma.

Nesse momento  o mercado do boi passa por um ajuste da produção, o que os especialistas chamam de virada de ciclo. Quando a pecuária registra um período de abate de fêmeas acima do normal,  na sequência sempre começa a retenção das matrizes para a produção de bezerros e reposição do plantel, e o diretor explica que o fator que determina a transição de ciclo de preços é a quantidade de fêmeas abatidas. “Isso geralmente acontece quando as referências do boi são insatisfatórias no ponto de vista do pecuarista, e ele acaba vendendo mais matrizes para fazer caixa”, diz.

No entanto, essa transição de ciclo dos preços se configura com a redução da produção de bezerros que conseqüentemente  encarece a cotação do boi. “Assim, os pecuaristas voltam a reter as fêmeas e as referências sobem devida baixa oferta de mercadoria”, conta.

Segundo o levantamento da consultoria, o abate de bovinos aumentou neste ano por conta de uma oferta maior. “Essa oferta foi maior justamente em um período de crise econômica, mas por sorte tivemos um aumento nas exportações de carnes e um bom desempenho na exportação de gado em pé”, pontua.

Carne

Já os preços da carne bovina no atacado não tiveram uma alteração expressiva, na qual demonstrava que o consumo no mercado doméstico se manteve estável. “No começo a gente achava que esse consumo tinha caído, mas o mercado conseguiu escoar bem a produção mesmo com a alta taxa de desempregados”, destaca.

Em relação à carne brasileira que estava embargada no mercado russo desde novembro de 2017, o diretor salienta que o embargo foi compensado pelo aumento das importações realizadas pelos chineses tanto é que neste ano vamos bater recorde de exportação sem os russos”, pontua.

Ainda segundo os dados da consultoria, as exportações vão fechar o ano com um aumento de 12% e um crescimento em torno de 7% de bovinos abatidos em 2018. “

Greve

Durante a paralisação dos caminhoneiros, que ocorreu em maio, o mercado do boi gordo ficou sem referências e as escalas de abate não avançaram. “A pecuária de corte foi afetada com menos intensidade pela a própria característica da produção do setor, diferente dos granjeiros e da pecuária leiteira”, comenta.

Febre Aftosa

Torres destaca que é muito positivo o país ser declarado livre da febre aftosa, porém isso implica em um compromisso do governo de melhorar a vigilância sanitária. “Nós estamos doando vacinas para a Venezuela para vacinar o gado, mas não sabemos se o gado foi vacinado e deveria ser um serviço mais completo em que poderíamos disponibilizar equipes”, ressalta.

Tem muitos especialistas que estão a favor e outros que estão contra ao fim da vacina contra a doença. “As opiniões estão divididas tem pessoas que estão a favor e outras contra, mas se tivéssemos um sistema sanitário de primeiro mundo não teria ninguém contra a liberação”, diz.

2019

Para o próximo ano, a expectativa é de alta para as cotações do boi gordo com o plano econômico do presidente eleito. O diretor pontua que terá uma oferta maior no início do ano por conta do descarte de fêmeas vazias em função da estação de monta.

“A expectativa é de cenários melhores para os próximos três anos para o mercado do boi gordo com a ressalva de que isso é o mercado puro, já que dependendo das medidas econômicas que o governo adotar pode pesar para o consumidor”, completa.

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Por: Giovanni Lorenzon e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

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