Boi: mudanças no indicador Cepea ajustam mas não resolvem distorções nos preços da @ se pecuaristas não participarem

Publicado em 27/09/2019 12:52 e atualizado em 04/10/2019 14:08
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Nova metodologia amplia base de dados com participação de frigoríficos SISP e adere a média ponderada de animais negociados e não só por lotes
Caio Junqueira - Analista de Mercado da Cross Investimentos

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Entrevista com Caio Junqueira - Analista de Mercado da Cross Investimentos sobre a Nova metodologia para os Indicadores do Boi

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As mudanças no indicador da ESALQ/Cepea para o boi gordo vão contribuir para a coleta de mais informações com a participação das indústrias frigoríficas de menor porte. No entanto, se os pecuaristas não contribuírem não vai resolver esse cenário de distorção dos preços da arroba.  

De acordo com Analista de Mercado da Cross Investimentos, Caio Junqueira, as mudanças no indicador do boi gordo não resolvem todos os problemas. “Nós precisamos ficar em cima de informação já que o indicador é baseado em uma coleta de preços no mercado spot e utilizam uma metodologia para se publicar os preços”, afirma.

Antigamente o indicador Cepea coletava preços de indústrias SIF e se os pecuaristas negociavam com empresas menores essa comercialização era excluída. “Uma dessas mudanças foi em incluir nesta amostragem de preços os frigoríficos que tem SISP. Isso foi um esforço para aumentar a amostragem de informação para dentro do Cepea”, destaca.

Os pecuaristas que fecham negócios precisam informar o Cepea, sendo em vista que o centro possui um aplicativo, chamado Cepea Boi. “O pecuarista se cadastra, faz a venda e informa o que foi comercializado, tendo em vista que o principal erro é o produtor não divulgar”, relata.

A partir de 2020, a amostragem das referências para o boi gordo será feita por média ponderal dos negócios. “Hoje, o Cepea captada negócios de 500 animais comprados a R$ 165,00/@ e outros 18 animais comprados ao redor de R$ 160,00/@, o instituo contabiliza apenas o número de negócios e exclui quantas cabeças foram comercializadas”, aponta.

A representatividade do indicador do Cepea para a arroba em São Paulo vai mudar com as mudanças na metodologia. “O Cepea abriu uma nova praça, na qual era divida em cinco praças como Araçatuba, São José do Rio Preto, Marília, Presidente Prudente e Bauru que faziam a coleta de preços e cada uma tinham um peso ponderal. Porém, o Cepea foi atrás de aumentar o número de amostragem no Vale do Paranaíba que tem uma arroba muito barata se comparada com outras localidades”, comenta.

Diante disso, as referências do Cepea se distanciaram muito dos preços praticados para o boi gordo no estado de São Paulo. “Não existe relevância de preços no Vale do Paranaíba, mas algumas negociações são realizadas nesta região. E essa amostragem só será perfeita quando tiver essa conscientização do pecuarista de informar sobre o negócio”, conclui.

Confira o comunicado da B3 a respeito da mudança no indicador:

Por: Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Ronaldo Brejauba goiania - GO

    A coleta preserva o anonimato do produtor?

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Com a rastreabilidade também nos hortifrutis, a tendencia e' acabar com o anonimato do produtor gradativamente em todos os produtos... Aqui em Sao Paulo ja' começou o cadastramento de todo o cinturao verde que fornece fruta e verdura... A fiscalizaçao pretende chegar ate' o produtor que nao respeita o prazo de segurança dos venenos... O CERCO ESTA" SE FECHANDO...

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    • Ronaldo Brejauba goiania - GO

      O pecuarista, na minha opinião, não deve fornecer dados de valores nem do tamanho do rebanho à entidades que visam saber o tamanho do estoque objetivando controlar (manipular) preços.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Ronaldo, você tem razao ... a rastreabilidade nao deveria considerar o tamanho do rebanho porque esse dado da' ensejo a outras coisas---Talvez a fiscalizaçao justifique esse dado para avaliar se o estrago e' grande ou pequeno----Mas esta' errado -----Para cada medida imposta prejudicial o ser humano tem o direito a legitima defesa e DECLARAR O QUE ACHA MELHOR

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