IAC identifica variedades com características sensoriais diferenciadas e abre novo espaço no mercado de cafés especiais

Publicado em 29/09/2016 12:53 e atualizado em 30/09/2016 13:21
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Pesquisador do IAC encontra entre as variedades do banco de germoplasma da instituição, cafés com sabores de menta, especiarias e outras características que podem ser exploradas como cafés especiais

A demanda por cafés especiais cresce significativamente a cada ano, assim como a exigência dos consumidores por cafés de melhor qualidade. E para atender esse mercado, em 2010 o IAC (Instituto Agronômico) desenvolveu o Programa de Cafés Especiais.

O principal objetivo das pesquisas é identificar plantas que possuam capacidade de produzir cafés com características sensoriais distintas e que apresentem potencial para constituírem novas cultivares para atendimento às demandas específicas do mercado de cafés especiais.

Atualmente o banco de germoplasma do IAC possui 16 espécies de café sendo conservadas que foram introduzidos de diferentes partes do mundo, especialmente da Etiópia, Índia, Colômbia e Costa Rica. Nele foi possível encontrar variedades com sabores e aromas naturalmente diferenciados que lembram alecrim, eucalipto, menta, hortelã e especiarias, entre outros.

A coordenação do projeto é do pesquisador científico Gerson Silva Giomo, especialista em tecnologia de processamento pós-colheita e qualidade do café.

Utilizando método de análise sensorial proposto pelo Coffee Quality Institute – CQI [um programa de certificação internacional de profissionais classificadores e degustadores de café conhecido no mundo todo] Giomo e sua equipe vêm degustando cafés do banco de genótipos do IAC com o objetivo de encontrar cafés com melhor qualidade sensorial, sabores e aromas diferenciados, incomuns nos cafés tradicionais brasileiros.

Os cafés com sabores exóticos podem ser encontrados tanto em acessos selvagens de café arábica quanto em plantas obtidas a partir de cruzamento de cultivares elite com alguns acessos que fazem parte do germoplasma de Coffea SP mantido pelo Instituto.

Com isso, "é possível fazer tanto o aproveitamento de espécies já existentes, quanto identificar genótipos para criação de novas populações", acrescenta Giomo.

O pesquisador destaca que ao provarem esses cafés, diversos degustadores profissionais ficaram impressionados e surpresos com a diversidade de aromas e sabores encontrados e os classificaram como cafés exóticos, principalmente em função de apresentarem características sensoriais totalmente distintas dos cafés que até então eles conheciam.

Os testes em campo irão contemplar diversos ambientes de produção e diferentes formas de processamento, com o intuito de identificar as melhores combinações de cultivares, de ambiente e de processamento pós-colheita para potencializar a obtenção de perfis sensoriais específicos.

"Primeiramente os testes são feitos pela equipe de pesquisa; depois passam por painéis sensoriais, feito com degustadores especialistas; e em um segundo momento para outro tipo de degustador em feiras do setor", diz Giomo.

Mas, a produção em larga escala ainda é um desafio a ser perseguido. Segundo Giomo "se a pesquisa concluir ser possível utilizar algumas populações que já estão elaboradas no banco de germopasma, e que possa ser aproveitado por outro sistema de propagação [não somente a semente] conseguiríamos encurtar o prazo para chegar a uma nova variedade".

Giomo explica que através do cultivo de sementes uma variedade pode demorar até 30 anos para ser desenvolvida. Já no caso de propagações vegetativas, por exemplo, o prazo pode ser encurtado pela metade.

Por: Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

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