Climatologista contesta modelos de previsão e avisa que atraso das chuvas no centro-norte do país está mantido

Publicado em 03/10/2016 15:30 e atualizado em 04/10/2016 11:31
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Chuvas que já ocorreram são consequências de tempestades equatoriais na África, fenômeno que pode não ter sequência

Com a previsão da volta das chuvas no Centro-Norte, com uma média estipulada de 70mm, os produtores ficam em dúvidas sobre o início do plantio. No entanto, para o climatologista Luiz Carlos Molion, o momento deve ser de cautela, pois a situação climática ainda é atípica.

O climatologista detalha que tempestades fortes vindas da África Equatorial, ao encontrarem uma frente fria fraca no litoral do Brasil, que atualmente tem os estados do Sudeste e do Centro-Oeste, principalmente, atingidos por um sistema de alta pressão, fizeram com que as chuvas fossem intensificadas na região, mas essa não deve ser uma situação constante.

De acordo com Molion, o sistema de alta pressão só será dissipado com maior aquecimento solar. “É preciso que o calor do sol seja transmitido para as camadas mais altas”, destaca. Ele lembra ainda que a chuva muito intensa tende a escorrer, ou seja, a umidade no solo ainda vai levar tempo para se fixar, uma vez que nos últimos 180 dias, o déficit de chuvas em algumas regiões do país chegou a ser superior a 50%.

“O produtor pode arriscar a plantar, mas ele corre o risco de nos próximos dias secar, não ter umidade de solo suficiente e a chuva não continuar”, detalha o climatologista. Ele lembra ainda que é muito difícil representar em um modelo como o clima irá se comportar e quanto de chuva será produzido. “O ciclo hidrológico, principalmente, é um dos pontos fracos dos modelos”.

Nos últimos anos, é possível observar que a estação chuvosa se intensificou a partir de novembro. O conselho de Molion para os produtores dessas regiões atingidas pelo sistema de alta pressão, portanto, é que acompanhem o clima e que tenham flexibilidade para realizar o plantio.

Segundo a tendência, a estação chuvosa fica bem estabelecida a partir da terceira semana de novembro, segundo o climatologista. O sistema leva um tempo de 45 dias para responder ao aquecimento do sol.

“As chuvas começam a diminuir em abril a partir do momento em que o sistema de alta pressão volta a atuar”, explica Molion. Este sistema deve continuar seguindo até os meses de setembro e outubro. No entanto, se o produtor colocar o adubo o mais profundo possível nesta época de umidade, a planta consegue aguentar os veranicos, pois vai atrás dos nutrientes.

Para o Sul do país, ainda há a probabilidade de ocorrer o La Niña, aposta Molion. “Na minha opinião, estou apostando, literalmente, que o sistema vai funcionar semelhante ao El Niño de 1997-1998, pois a situação é parecida quando a gente compara as temperaturas das duas épocas”, justifica.

Se ocorrer a La Niña, ele deve durar até 2019 e a tendência de outubro a dezembro no Sul, é de reduzir a precipitação, particularmente no Rio Grande do Sul. Há uma tendência de reduzir também as chuvas nas regiões produtoras do Paraguai e da Argentina.

Por Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte Notícias Agrícolas

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