DA REDAÇÃO: Baixos estoques norte-americanos e demanda aquecida sustentam alta da soja em Chicago

Publicado em 03/12/2012 13:36 e atualizado em 03/12/2012 16:27 336 exibições
Grãos: soja opera em alta nesta segunda-feira (03) sustentada pelos baixos estoques norte-americanos e a demanda aquecida. Notícias do mercado financeiro e clima na América do Sul também influenciam mercado. Cerca de 50% da safra 2012/13 já foi comercializada pelos produtores.
Nesta segunda-feira (03) a soja opera em alta sustentada pelos baixos estoques norte-americanos e a demanda aquecida na CBOT. O analista da Safras & Mercado, Flávio França Junior, explica que algumas variáveis estão atuando sobre os preços nas últimas semanas.

O analista destaca que do lado negativo, que derrubou os preços e fez com que as cotações ficassem abaixo de US$ 15 por bushel, foram a expectativa de grande safra na América do Sul e a produção norte-americana acima do esperado pelo mercado. Já do lado positivo, e que impede uma queda mais acentuada das cotações, estão à percepção de estoques norte-americanos que devem continuar baixos, nesta temporada, apesar do aumento na safra do EUA, e a demanda aquecida tanto no mercado norte-americano como no mundial. 

E dentro desse perfil há duas variáveis, o clima no Hemisfério Sul e a questão financeira. “Então dependendo dessas variáveis o mercado se move para cima e para baixo. Nesse início de semana temos do lado financeiro, um otimismo maior com a solução, momentânea, para a crise na Grécia e expectativa de solução para o impasse fiscal no EUA”, afirma França.

Já a questão climática na América do Sul permanece complicando o plantio na Argentina. No Brasil, o analista sinaliza que as condições são boas, e mesmo no RS onde havia um déficit de umidade, as chuvas dos últimos dias amenizaram a situação e permitiu a retomada da semeadura. 

“O grande problema é na Argentina, que já teve problemas e agora tem novas chuvas, impedindo o avanço no regular no plantio. E esse movimento de preço com Chicago a US$ 14 já reflete a essa antecipação de perdas e problemas na safra sulamericana. Sem a questão argentina o mercado estaria mais para os US$ 14 do que para US$ 14,50”, acredita França.

Caso haja um agravamento nos problemas na Argentina juntamente com notícias de perdas a soja pode se elevar ao patamar de US$ 15, conforme diz o analista. No entanto, é uma situação temerária uma vez que o mercado já está precificando e irá no decorrer das próximas semanas continuar refletindo, então essa volatilidade nos preços é precoce. 

Ainda na visão do analista, a posição dos fundos de investimento, na soja, é baixa nesse momento. Os investidores estão ausentes e já se retiraram do mercado de Commodities Agrícolas, e as chances são maiores de não retornarem ao mercado.

“Em uma hipótese de caos, de catástrofe financeira o não acordo fiscal nos EUA, é uma hipótese negativa e os preços poderiam cair, mas não partilho dessa opinião. É difícil que nenhum acordo seja fechado. E caso haja um acordo, a tendência natural é de que os fundos voltem a comprar soja e milho, o que pode ocasionar no início de 2013 uma onda positiva nos preços vindos do lado financeiro”, relata França. 

Em decorrência dessa situação, a expectativa é que o mercado fique relativamente sustentado pela questão do clima. Entretanto, a variável é frágil, e a Argentina pode plantar durante o mês de dezembro sem acarretar muitos problemas.

“Nossos produtores precisam acompanhar e se os preços continuarem sólidos é possível até fazer algum negócio, para aquele produtor que ainda não vendeu bastante. Segundo levantamento da Safras & Mercado, cerca de 50% da safra 2012/13 já foi comercializada”, finalizou o analista. 
Por:
Kellen Severo/ Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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