DA REDAÇÃO: Soja – Clima desfavorável nos EUA, sustenta preços na Bolsa de Chicago

Publicado em 14/08/2013 13:39 e atualizado em 14/08/2013 15:48
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Grãos: Redução expressiva na produção norte-americana prevista no relatório do USDA foi uma surpresa para o mercado, segundo analista. Clima no meio-oeste americano é o principal responsável pelo corte, e agora o mercado encontra ânimo para subir novamente. Após acomodação dos preços no pregão desta terça-feira (13), mercados voltam a subir novamente.

No pregão regular desta quarta-feira (14), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam do lado positivo da tabela. Por volta das 15h08 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam ganhos entre 4,25 e 9,25 pontos. Segundo o economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, o mercado ainda reflete os números divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Esta semana, o órgão divulgou no relatório de oferta e demanda dos EUA e mundial. A safra 2013/14 norte-americana foi estimada em 88,59 milhões de toneladas, número menor do que reportado no último relatório de 93,08 milhões de toneladas. Do mesmo modo, a produtividade da soja foi revisada para baixo e passou de 50,45 sacas por hectare para 48,3 sacas por hectare. “Esse corte expressivo pegou o mercado de surpresa”, destaca o economista.

Outro fator que também tem impulsionado as cotações da futuras da oleaginosa é o clima no país, especialmente no cinturão de produção dos EUA. As regiões Norte e Oeste do cinturão apresentam baixo volume de umidade. E as previsões climáticas indicam baixos volumes de umidade em alguns bolsões, principalmente nos estados de Iowa, Illinois e Minnesota. 

“Ou seja, o coração do meio oeste entrou em xeque na questão climática. E agosto é o período forte para a formação da produtividade da soja. Essa situação acabou colocando o mercado para cima, pois os fundos, que estavam vendendo posições começaram a comprar, por isso, tivemos uma alta expressiva na segunda-feira e ontem (13) os preços se acomodaram, mas hoje os mercados voltam a puxar novamente”, afirma o economista. 

 A valorização nos preços futuros também refletiu positivamente nas cotações no mercado interno brasileiro. Além disso, o economista sinaliza que a alta da taxa de câmbio, a maior desde março de 2009, contribui para sustentar os preços domésticos. “Com esses dois elementos, os negócios no mercado interno voltaram a se desenvolver com maior ritmo, após duas ou três semanas de ritmo mais lento”, ressalta Motter. 

Frente a esse cenário, o economista orienta que os produtores negociem o remanescente da safra velha. No PR, a estimativa é que 20% da produção ainda precisa ser comercializada, o equivalente a 3 milhões de toneladas. “É preciso vender parceladamente ao longo do tempo, e temos que lembrar com uma oferta maior os preços tendem a ficar em um patamar mais acomodado”, acredita. 

Milho – As exportações brasileiras do cereal deverão somar 15 milhões de toneladas este ano, volume abaixo do ano passado. Entretanto, para escoar a grande produção brasileira, que somada as duas safras deverá ultrapassar 80 milhões de toneladas, seria necessário o embarque de 25 milhões de toneladas. Porém com os Estados Unidos produzindo uma grande safra, o produto brasileiro terá que ser mais competitivo para garantir espaço no mercado internacional. “As condições para a exportação melhoraram, mas temos uma grande batalha pela frente no mercado do milho”, diz Motter. 

Trigo – A expectativa é que as perdas no PR ultrapassem 40% na produção deste ano, em função das geadas no mês de julho. E os problemas logísticos afetam também a importação do trigo. “Então, combinando a falta de produto interno, menor produção e dificuldade de importação, temos preços historicamente altos no trigo”, finaliza o economista. 

Por: João Batista Olivi/Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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