DA REDAÇÃO: 80% dos cafeicultores não devem se beneficiar com leilões de opções

Publicado em 11/09/2013 14:41 e atualizado em 11/09/2013 16:30
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Café: Mais de 80% dos produtores não conseguirão participar dos leilões de opção do governo. Boa parte já vendeu o café para pagar os compromissos, restando apenas grãos de baixo valor econômico que não se encaixam nas exigências da Conab.

Em Boa Esperança (MG), 95% da economia do município depende da cafeicultura e, com a atual crise do setor, a situação está bastante difícil nesse momento. A própria OIC (Organização Internacional do Café) já admitiu que essa pode ser uma das piores crises da cafeicultura desde a virada do século.

O Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Boa Esperança, Manoel Joaquim da Costa, afirma que se preparou para entregar o seu café nos leilões de opções, mas devido à demora do governo em liberá-los, ele vendeu grande parte da sua produção para custear a colheita e pagar os seus compromissos, enquanto o restante do café é de baixo valor econômico e não servirá para as opções.

“Quem irá se beneficiar com os leilões são os especuladores porque o cafeicultor, que deveria ser amparado pelo governo com recursos na hora certa, foi desamparado. Com isso, ano após ano o descaso com o produtor brasileiro continua, ele que alavanca esse país é deixado em segundo plano”, diz Costa.

Há mais de 90 dias os sindicatos faziam pressão para que as medidas do governo fossem liberadas e, caso isso tivesse ocorrido 45 dias atrás poderia solucionar a crise do setor. No entanto, nesse momento, cerca de 80% dos produtores não se beneficiarão com os leilões de opções. Segundo Costa, daqui para frente à única esperança para os cafeicultores é o governo atuar diante dos vencimentos dos bancos e das cooperativas, que já estão agredindo o produtor exigindo pagamento.

Este ano, o prejuízo dos produtores ficará em torno de R$ 100,00/saca, já que na região de Boa Esperança o custo de produção é de R$ 380,00/saca, enquanto o mercado paga pela saca de café R$ 270,00.

Por: João Batista Olivi, Marcelo Lara e Paula Rocha
Fonte: Notícias Agrícolas

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