DA REDAÇÃO: Produtores de borracha brasileiros esperam por apoio do governo

Publicado em 27/06/2014 13:31 e atualizado em 27/06/2014 15:35 337 exibições
Borracha: Setor sofre com os preços baixos, que estão abaixo dos custos de produção. Situação é causada pelo excesso de oferta de países da Ásia. Para especialista a situação é momentânea, mas a produção de borracha precisa de apoio governamental para atravessar a crise.

O mercado da borracha vive no momento uma crise nos preços, com o valor do quilo do produto ficando abaixo do mínimo estipulado pela Conab (Companhia Brasileira de Abastecimento) de R$ 2, sendo negociado a R$ 1,60. Esse baixo valor é provocado pelo excesso da borracha no mercado - em virtude das grandes produções na Ásia que não foram comunicadas ao mercado – e da menor demanda no cenário global, em virtude da recuperação econômica de Estados Unidos e Europa e da redução do crescimento chinês.

“Em relação à questão do preço da borracha, nós precisamos de um socorro momentâneo do governo. Esses preços que são ruins para nós hoje também são péssimos para a Ásia”, falou Fernando Guerra, vice-diretor de Comunicação da Apabor (Associação dos Produtores Paulistas de Borracha). “Se não funciona para nós, também não funciona para eles. Só que lá, eles têm uma política de proteção para o mercado”, completou. 

Segundo o diretor, é preciso construir junto ao governo alguma política temporária para auxiliar os produtores para que se inicie a próxima safra, que começa em setembro/outubro. “Se deixarmos de entregar a borracha no mercado, isso acaba prejudicando o seu maior bem, que é o cliente. Começamos a ensiná-lo a importar a viver da borracha importada”, explicou Guerra.

Atualmente, cerca de 56% da produção da borracha brasileira se localiza no estado de São Paulo, principalmente na região norte, com a expansão da produção desde a década de 1980. Nos últimos 30 anos, o país produz apenas um terço da borracha que é utilizada internamente e importa o restante. “Hoje, está mais barato comprar o produto internacional do que o produzido no país e isso não pode ficar assim”, disse o diretor, alertando que o câmbio desfavorável é o principal causador dessa situação.

Futuro

Apesar do momento ruim, Fernando Guerra acredita que a produção de borracha é rentável. “Eu continuo plantando seringueiras para mim e para os meus amigos e esse é o maior sinal de que eu acredito nesse negócio”, declarou o vice-diretor. Segundo ele, os produtores precisam ser vistos pelo governo para serem ajudados e a maneira pela qual isso deve ser feito é associando-se às entidades do setor. 

 

Por:
João Batista Olivi // Fernando Pratti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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