Greve dos Caminhoneiros: Produtores do norte do MT já sofrem com a falta de óleo diesel para continuarem a colheita da soja

Publicado em 23/02/2015 13:32 e atualizado em 24/02/2015 07:35
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Greve dos Caminhoneiros: Protestos no norte de MT já deixa produtores sem óleo diesel para continuar a colheita da soja no estado. Lavouras estão perecendo, já há um elevado percentual de soja avariada nos campos e não há perspectiva de resolução do cenário. Além da colheita da oleaginosa, que está no seu pico, os tratos com as lavouras de milho safrinha também estão comprometidos.

A greve dos caminhoneiros afeta distribuição de óleo diesel e os produtores do Mato Grosso podem ficar sem combustível para continuar a colheita da soja - principalmente no norte do estado onde há maior concentração das paralisações. Segundo Antônio Galvan, presidente do Sindicato Rural de Sinop (MT), já existem áreas onde a colheita está parada e também afetando os geradores de secagem da soja, que são movidos a óleo diesel.

Os produtores que sofreram com problemas de chuva no início da colheita, agora veem a possibilidade de os trabalhos de campo pararem novamente e a soja começa ficar avariada no campo. “Já temos notícias de postos aqui da região, que não tem mais diesel nem para abastecer no varejo, e os caminhões estão todos retidos vazios, mesmo que liberasse hoje os caminhões precisam de dias para carregar em São Paulo ou Goiás e retornar”, relata Galvan. Além disso, a maior parte dos transportes possuem nove eixos e só podem circular das 6h00 às 18h00.

Segundo Galvan as propriedades utilizam em média de 2 a 3 mil litros de óleo diesel por dia nesse período em que a colheita da soja está no seu pico, portanto havia um acordo das lideranças rurais e os caminhoneiros para deixar passar caminhões com combustível oriundos das lavouras para os armazéns, mas isso não aconteceu. “Não adianta eles atingiram o objetivo de redução no diesel e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), se depois não terão safra mais ‘puxar’ caso ela não seja colhida”, argumenta o presidente do Sindicato.

Em Lucas do Rio Verde, os manifestantes começaram a proibir a passagem de caminhões de óleo diesel na noite de domingo (22), impedindo a distribuição do combustível principalmente nas cidades de Sorriso, e Sinop. Hoje o Mato Grosso só colheu 30% de toda a sua produção de soja, e não fará o plantio do milho safrinha se atrasar mais a colheita.

Frente esse cenário, o Sindicato dos Produtores Rurais de Sinop junto com a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso) cogitam entrar com uma ação na justiça solicitando uma liminar para liberar o combustível até o campo.

Além disso, a baixa oferta – caso se confirme a redução da produtividade – pode alterar positivamente nos preços. “É uma questão favorável, mas não adianta nada ter um bom preço e não ter o produto para vender, então é uma situação que não ajuda. Inclusive é alimento que pode faltar na mesa do brasileiro”, explica Godoy.

As manifestações ocorrem principalmente em Mato Grosso, na BR 163, rodovia responsável pelo escoamento de 70% das safras de grãos do estado. E também a única rota para distribuição de insumos para o norte e médio norte do Mato Grosso – maior estado produtor de soja do Brasil.

Por: Carla Mendes e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

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