Alta do dólar dificulta importação de trigo e pode ajudar a alavancar preços do produto nacional. No entanto, demanda precisa melhorar

Publicado em 06/03/2015 17:01 e atualizado em 06/03/2015 17:53
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Alta do dólar dificulta importação de trigo e pode ajudar a alavancar preços do produto nacional. No entanto, demanda precisa melhorar

No final do mês de fevereiro houve um aumento no volume de vendas, haja vista que o produtor tinha a necessidade de esvaziar os armazéns para receber a colheita de soja. "O moinhos já sabem dessa necessidade e acabam fazendo algumas aquisições nesse momento", explica Élcio Bento, analista da safras & mercados.

Contudo, apesar do grande volume de vendas, os preços praticados são 'velhos', pois a tendência é de recuperação sustentada pela similaridade de importação - com dólar acima de R$ 3 encarecendo as compras internacionais.

"O moinho vai precisar comprar, e o mercado internacional está muito mais caro.Temos indicações de preço de 620,00 a 650,00 reais no norte do Paraná, e para trazer um trigo de igual qualidade - no mercado internacional - estaria acima de 800,00 reais", ressaltou Bento.

O mercado brasileiro do trigo está defasado em torno de R$200,00 por toneladas, se comparado ao produto importado, especialmente da América do Sul.
A recuperação do mercado está dependendo da demanda, pois os moinhos seguem bem estocados, a perspectiva é de melhora no final do mês de abril. "Foi um movimento deslocado, onde o produtor mesmo sabendo da tendência de recuperação precisou vender por uma questão de estocagem", declarou Bento.

Segundo ele, o produtor ainda tem um bom volume de trigo "no Rio Grande do Sul não tem muito porque o trigo dessa safra era de baixa qualidade e quase 1 milhão de toneladas foi para o mercado internacional e o pouco trigo de qualidade que tem já foi  negociado. Mas no Paraná sim, há um bom volume que deve ser negociado mais a diante com bons preços", afirma.

No Paraná os preços variam entre 600,00 a 650,00 reais e no Rio Grande do Sul de 510,00 a 520,00 reais, para safra nova.

 

Mercado internacional

A colheita do hemisfério norte esta se aproximando, o que gera pressão nas cotações, por outro lado no Mercosul (Mercado Comum do Sul) há pouco trigo e a importar de fora está caro - com o dólar a R$ 3 – dessa maneira a tendência é recuperação de preços.

Os números que estão baseando o mercado neste momento são ainda da safra 2014/2015 - que encerará em maio. "Segundo o último levantamento do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nos temos 196 milhões de toneladas em estoques, uma boa recuperação de estoques globais". Dessa forma, o volume de produto no mercado é muito grande, além dos Estados Unidos está com um volume baixo de exportações.

"Se fizermos a conta em relação ao mesmo período do ano passado, o trigo caiu 24% - enquanto que o dólar em relação ao real tem uma valorização 32%. Então a desvalorização da nossa moeda mais que compensa a queda no mercado internacional e, por isso temos essa tendência de recuperação do mercado", explica Élcio.

 

Próxima Safra

Segundo Bento, levando em consideração dois maiores produtores do país, deve-se esperar uma safra de entre 7 e 8 milhões de toneladas - um recorde de produção.

No Rio Grande do Sul deve haver uma área plantada maior do que a safra passada. Já no Paraná, a tendência é de redução de área para o milho safrinha. No entanto o atraso na colheita da soja pode prejudicar o plantio de milho, deixando como única opção o cultivo do trigo.

Por: Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • ADEMIR ARTEMIO IORKOSKI IPIRANGA DO SUL - RS

    Concordo com analistas, mas no RS haverá uma redução de área, visto o problema ocorrido na última safra, produtores amargando prejuízos, e pensando em reduzir riscos. A tendencia na região norte do RS é uma diminuição de 25% a 30% na área, se comparado com 2014.

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    • LEANDRO FRIZZOSÃO MIGUEL DAS MISSÕES - RS

      Concordo com o Ademir. Noroeste do RS tambem terá uma redução de área em grandes proporções, e tambem dimunuirá o uso de tecnologias, já que aumentou o custo de produção e o valor de custeio será o mesmo do ano anterior.

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