Oferta curta faz feijão carioca alcançar os R$250,00/saca e cotações devem seguir firmes até fevereiro

Publicado em 22/11/2019 14:29
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Mas apesar dos bons preços, Ibrafe alerta que a corrida por plantio a partir de agora, pode gerar excesso de oferta em março de 2020
Marcelo Eduardo Lüders - Presidente do IBRAFE

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Mercado do Feijão - Entrevista com Marcelo Eduardo Lüders - Presidente do IBRAFE

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O preço do feijão carioca está favorável para quem já plantou e está prestes a começar a colheita, de acordo com Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), de Curitiba (PR). Entertanto, ele alerta para que agricultores não se deslumbrem com o aquecimento do mercado e comecem a plantar agora para colher a partir de março, sob o risco de ter muita oferta e pressão nos preços. 

Segundo ele, em São Paulo, por exemplo, onde o produtor teve dificuldades em áreas não irrigadas, ou até nas irrigadas, mas sem outorga para o funcionamento do pivô acima de 250, até 300 reais dependendo da região. 

-- "O produtor vem administrando porque tem os números e tem a noção do tamanho do do déficit que temos. Até a próxima safra nós temos dezembro, janeiro, fevereiro, muito provavelmente em março e abril é que nós teremos um volume maior para regularizar o abastecimento", explica.

O presidente do Ibrafe afirma que plantar feijão carioca no momento é muito arriscado devido ao "efeito manada", que pode acabar gerando sobreoferta.

A estratégia de Lüders para o agricultor que precisa plantar é optar por outras variedades de feijão, principalmente as exportáveis, como feijão rajado ou feijão vermelho. De acordo com ele, o feijão preto também se configura como uma boa opção porque a China, que é um país que exporta muito feijão, está reduzindo as áreas plantadas, então a Argentina fica como provedora na primeira safra até maio do ano que vem. A expectativa é que, dentro de cerca de dois anos, o Brasil também comece, aos poucos, a exportar esta variedade.

-- "Por exemplo, o feijão argentino vai ser vendido pro México, pra Costa Rica, pra Venezuela em troca de petróleo, pra Cuba, esses mercados da américa central vão precisar ser supridos. Paralelo a isso, o clima não está favorável, como não foi pra soja, nos Estados Unidos há perdas em feijões, ainda a ser quantificadas, e nós não vamos ter no mundo a quantidade de feijão que nós tivemos no ano passado", explica. 

Apesar de ser uma boa alternativa, Lüders afirma que perspectiva é que não haja alta acelerada para o feijão preto, porque a colheita do grão já começou no interior do Paraná, e ainda há estoque. "Nós tivemos perda de qualidade no feijão preto, acabou abastecendo o mercado com preço baixo. Hoje está em torno de 150 reais, então trazer da Argentina já não é maois uma opção no momento, com a safra começando. Durante janeiro e fevereiro, provavelmente teremos venda maior de volume de feijão preto por causa da alta do feijão carioca".

 

Por:
Aleksander Horta e Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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