Embargo da UE à carne de frango gera insegurança e afeta economia dos municípios em SC

Publicado em 14/05/2018 11:29 e atualizado em 14/05/2018 13:53
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No estado, a BRF suspendeu todo o abate do mês de maio, de 600 mil frangos por dia, já na Aurora, a suspensão é de 140 mil frangos por dia. Produção de carne de frango e suína representa 15% do PIB de Santa Catarina. Ministro da Agricultura estará no estado no início dessa semana para conversar com representantes do setor.
Enori Barbieri - Vice Presidente da FAESC

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Embargo da UE para carne de frango brasileira

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O embargo da União Europeia para a carne de frango brasileira tem gerado insegurança e afetado a economia em Santa Catarina. O produto é o principal na pauta de exportação do estado e, juntamente, com a carne suína representa 15% do PIB catarinense. Inclusive, para tentar resolver o impasse, o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, participa de uma reunião com o setor no início dessa semana.

O vice-presidente da Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do estado de Santa Catarina), Enori Barbieri, reforça que duas grandes empresas reduziram os abates no estado. "A Brasil Foods (BRF), em Capinzal, suspendeu todo o abate do mês de maio, de 600 mil frangos por dia e deu férias coletivas aos funcionários", explica a liderança. Na Cooperativa Aurora, em Abelardo Luz, a suspensão dos abates é de 140 mil frangos por dia.

O cenário tem deixado os cerca de 13 mil produtores integrados do estado angustiados e ansiosos. "Afinal de contas, o valor aplicado nessa atividade é muito alto. Estamos negociando com as agroindústrias o pagamento desses dias parados. E para quem tem o financiamento junto ao sistema de crédito, que não tenha uma paralisação e, dessa forma, os produtores tenham recursos para honrar os seus compromissos", afirma Barbieri.

Ainda segundo o vice-presidente, o embargo imposto pela UE também fez com que outros mercados deixassem de adquirir o produto. "Essa é uma situação que se arrasta por mais de 30 dias e é fruto da Operação Carne Fraca. Precisamos reverter esse quadro ou teremos sérios problemas com as indústrias. Mas esse é um cenário que já abalou as contas do estado", completa.

Soja

Ainda no estado, os produtores estão finalizando a colheita da soja da safra de verão. E, com mais de 57 dias sem chuvas, a perspectiva é de redução na produção nesta temporada. Estimada anteriormente em 2,5 milhões de toneladas, a projeção atual é de uma safra próxima de 2 milhões de toneladas.

Na região de Xanxerê até Campos Novos, o rendimento das lavouras de soja girou em torno de 4 mil a 4,5 mil quilos por hectare nesta safra. Em contrapartida, da região de Campos Novos até o Planalto Serrano e Norte, a produtividade caiu e ficou entre 2 mil a 2,5 mil quilos por hectare.

"O aumento dos preços vai compensar um pouco as perdas. E as áreas de fronteira agrícola foram as mais afetadas e são regiões de produtores independentes arrendatários, com a quebra perderam todo o ano, não terão rentabilidade com a produção de verão", diz Barbieri.

Trigo

A produção de trigo é pequena no estado de Santa Catarina. Apesar das perdas registradas no ano passado, a alta nos preços registradas atualmente trouxe viabilidade comercial ao cereal. A perspectiva é que sejam colhidas em torno de 200 mil toneladas de trigo no estado.

"Contudo, grande parte das áreas iremos ter pastagens, aveia e azevém, que também sofrem com a estiagem no estado", finaliza a liderança.

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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