Com preços firmes, produtores mantêm área cultivada com o trigo em Santa Catarina

Publicado em 02/08/2016 11:41 e atualizado em 02/08/2016 16:25
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Ao todo, foram semeados 150 mil hectares com o grão no estado. Agricultores estão preocupados com o frio intenso que já afetou as pastagens em Santa Catarina. Por outro lado, custos com ração seguem elevados e podem reduzir o plantel da avicultura. Preços do cereal permanecem elevados, ao redor de R$ 50/sc. Aumento na área de milho na safra de verão não deve se confirmar.

Nessa safra de inverno, os produtores rurais mantiveram em 150 mil hectares a área cultivada com o trigo em Santa Catarina. E, segundo o vice-presidente da Faesc (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), Enori Barbieri, o cenário é decorrente dos preços mais altos e também da perspectiva mais favorável para essa temporada. Os valores estão próximos de R$ 50,00 a saca.

“A safra do ano passado foi ruim devido às chuvas na colheita e a grande maioria acabou sendo destinado à produção animal. Para essa temporada, os produtores fizeram a semeadura nos meses de junho e julho e as lavouras têm se desenvolvimento bem até o momento, apesar do frio intenso, com várias geadas recentes”, pondera Barbieri.

Além disso, para esse ano há a formação de um La Niña, evento climático que reduz o volume de chuvas para o sul do Brasil. “E como a colheita irá ocorrer entre outubro e novembro, acreditamos que teremos um tempo mais seco. Cenário que deve beneficiar a produtividade e também o Ph do cereal, fazendo com que haja uma valorização do produto”, diz.

Frio afeta a pecuária

Paralelamente, as temperaturas mais baixas já afetaram as pastagens do estado, especialmente a pecuária de corte e leiteira. “Algumas pastagens morreram com o excesso de frio e, com isso, há uma dificuldade em manter os animais, já que os custos com a ração permanecem elevados e incompatíveis com a atividade. Os produtores atravessam um momento difícil, apesar da melhora nos preços”, afirma o vice-presidente da federação.

A liderança ainda reforça que, “os confinamentos de pecuária de corte estão desativados no estado devido aos altos custos. Voltamos a ter a preocupação com a falta de milho, tínhamos uma expectativa que com a colheita da safrinha podíamos ter preços elevados, mas também oferta, o que não tem acontecido. A cotação elevada tem prejudicado toda a cadeia produtiva”.

E a perspectiva é que o cenário melhore somente com a chegada da próxima temporada. “Já conversamos com o governo estadual sobre as questões fiscais e com o Mapa para a liberação de importação do grão de países de fora do Mercosul. O Pis e Cofins gera 10% de aumento dos custos do milho trazido dos EUA e da Ucrânia”, explica Barbieri.

E o cenário deve resultar em uma redução no plantel da avicultura. Barbieri ainda sinaliza que muitas empresas deram férias coletivas. No caso da suinocultura, diante do ciclo produtivo maior e da perspectiva de melhora nas exportações o impacto não deve ser tão expressivo.

Safra de verão

A projeção de um aumento de 100 mil hectares cultivados com o cereal no estado não deve ser confirmado nessa temporada. Isso porque, diante da reação nos preços da soja, muitos optaram pela semeadura da oleaginosa na temporada 2016/17. “Já tivemos até contratos futuros para o grão. Sem contar a liquidez e segurança maior que a soja proporciona. E, em anos de La Niña, a produção de milho sempre sente mais os efeitos do clima, tudo isso, fez com que os produtores revissem o planejamento”, destaca.

A semeadura do cereal deverá começar a ganhar força no final de agosto e se estender ao mês de setembro. Já na soja, os trabalhos nos campos ganham ritmo a partir de outubro. 

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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