Com demanda no foco, preços da soja e do milho podem buscar recuperação no último trimestre do ano
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Entrevista com Victor Ikeda - Analista de Grãos da Rabobank sobre o Mercado de Grãos
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Um estudo feito pelo banco internacional Rabobank mostrou que o último trimestre de 2018 deverá ser de recuperação para os preços d soja na Bolsa de Chicago e do milho no mercado brasileiro. Ambos os mercados deverão se voltar aos seus fundamentos com mais intensidade e começar a mudar, mesmo que ainda timidamente, seu cenário.
Soja
Entre os principais fundamentos da soja estão, nesse momento, a colheita de uma safra recorde nos Estados Unidos, próxima das 124 milhões de toneladas, o início do plantio no Brasil e, ainda no centro das discussões, a guerra comercial entre China e Estados Unidos.
Com uma diferença que ultrapassa US$ 50,00 / US$ 60,00 por tonelada entre a soja brasileira e a soja americana, motivada principalmente pelos historicamente altos prêmios pagos no Brasil, o produto dos EUA começa a ganhar mais mercado entre compradores extra China neste momento, mantendo um bom ritmo da demanda.
No entanto, mesmo com a disputa em andamento, a estimativa do Rabobank é de que os chineses terão a necessidade de importar de 15 a 20 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos para atender toda sua necessidade. E com isso se confirmando, como explicou o analista de grãos do banco, Vitor Ikeda, os preços podem voltar a atuar no intervalo dos US$ 8,50 aos US$ 9,00 por bushel nos últimos três meses deste ano.
Esse pode ser um intervalo sendo registrado mesmo diante da continuidade também da tarifa da exportação chinesa sobre a soja americana. "Os EUA precisam, de outubro a dezembro, da demanda da China para escoar sua produção. É no último trimestre que o impacto maior deverá ser sentido da taxação e da guerra comercial", diz Ikeda.
Enquanto isso não se confirma, o Brasil segue exportando volumes recordes de soja, com mais de 10 milhões de toneladas ao mês por meses consecutivos e mantendo firmes os prêmios brasileiros diante de uma oferta mais enxuta. Entretanto, o analista alerta para uma correção desses prêmios - principalmente para a próxima safra - com um eventual acordo entre China e Estados Unidos.
"Acredito que o flat price para o produtor, em dólara para o próximo ano, hoje teria uma compensação em Chicago (caso haja uma conciliação", explica.
Mesmo com um aumento de área no Brasil e as expectativas de uma safra "normal" na Argentina, além da safra recorde dos EUA, o cenário global de oferta e demanda de soja ainda se mostra ajustado.
"Isso dá um certo fôlego na questão da oferta, mas o grande ponto é que se começamos já a olhar através de 2019 já se espera que os EUA reduzam sua área em 5 milhõe de acres, porque os preços em Chicago não estão remuneradores", alerta Ikeda.
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