Suspensão da TEC pelo Brasil pode inibir parcialmente preços internos da soja e estabelecer um teto para o milho, aponta DATAGRO

Publicado em 21/10/2020 15:51 65 exibições
Camex decidiu na última semana retirar temporariamente a Tarifa Externa Comum (TEC) para todos os países a fim de amenizar impactos ao consumidor

A suspensão temporária da Tarifa Externa Comum (TEC) para a importação de soja e milho pelo Brasil de fora de países do Mercosul, conforme decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) na sexta-feira (16) tem potencial de impactar os preços dos grãos no país, segundo levantamento da Consultoria DATAGRO. A medida tem o objetivo de melhorar o abastecimento interno e pode amenizar as altas dos preços para a cadeia consumidora de grãos e seus subprodutos.

Para se ter uma ideia do avanço dos preços dos grãos neste ano, no caso da soja, utilizando o referencial FOB no interior do estado de São Paulo, a DATAGRO apurou que a oleaginosa teve um salto de 99%, com valor de R$ 165,00/saca de 60 kg, sobre R$ 83,00 em igual momento do ano passado. No milho, o aumento foi menor, mas ainda é expressivo sobre o período de 2019, atingindo patamares de R$ 72,00/60 kg no interior paulista, ante R$ 44,00. Um avanço de 64%.

Com esse cenário e após a decisão da Camex, a DATAGRO realizou levantamentos de paridade de importação para soja e milho considerando como origens Argentina e Estados Unidos, que seriam os dois países capazes de fornecer produto para o mercado neste momento. Na soja, o produto importado da Argentina, chegaria com custo de importação Brasil (CIF), base Campinas/SP, a R$ 166,26/60 kg, 1% abaixo dos valores atuais de mercado interno, CIF indústria no interior de São Paulo. Dos EUA, a oleaginosa chegaria a R$ 169,26, portanto, 1% acima dos valores de mercado interno.

“No caso da soja, a medida de suspensão da TEC atuaria sim como um inibidor parcial dos preços daqui para frente. Mas que pode ser parcial ou totalmente anulado, caso os preços na CBOT se valorizem na hipótese de que o Brasil efetivamente passe a buscar produto nos EUA”, conclui Flávio Roberto de França Junior, coordenador da DATAGRO Grãos.

No milho, as variações são mais expressivas em caso de importação pelo Brasil, com o produto argentino CIF Campinas a R$ 87,61/60 kg, 22% acima dos R$ 72,00 do mercado interno. Enquanto que o norte-americano chegaria a R$ 91,66, ou seja, 27% maior do que no mercado interno. “O que temos é o estabelecimento de um teto para a alta dos preços a partir de agora, que passaria a ser a paridade de importação. Mas que, como podemos observar pela tabela, ainda está muito acima dos preços domésticos atuais. O que abre até a possibilidade de alguns ajustes para cima dos preços em algumas praças a partir desse novo teto”, pontua França.

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Datagro

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