Pomares abandonados em SP representam 2% da área cultivada ou 10 mil ha e geram preocupação com greening

Publicado em 11/02/2016 15:50 e atualizado em 11/02/2016 17:49
180 exibições
Pomares abandonados podem ser foco de doenças, inclusive o greening. Produtores devem adotar medidas coletivas para evitar problemas

Os produtores de laranja do parque citrícola, formado por municípios de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste Mineiro estão preocupados com a propagação do greening através do pomares abandonados na região. De acordo com mapeamento da Fundecitrus (Fundo de Controle e Defesa da Citricultura) realizado no ano passado, dos 492 mil hectares de citrus comerciais, 2% (10 mil hectares) estão abandonados.

Para evitar a disseminação do greening, que hoje é a principal doença citrícola e não tem cura, o Fundecitrus vem realizando trabalho preventivo junto ao produtores e a Secretária do Estado. Em caso de abandono, é de responsabilidade da Secretaria de Agricultura do Estado notificar os proprietários para fazer o corte dessas árvores. Por lei, quando mais de 20% das plantas apresentam o greening, também conhecido como amarelão, o pomar inteiro deve ser cortado.

A macrorregião Centro é a mais afetada pela presença desses pomares. Nela, estão as regiões de Duartina, primeira colocada do abandono com 1.889 hectares (3% de sua área), e Matão com 1.353 ha (2%) abandonados, além de Brotas, que tem a maior área abandonada proporcional ao seu tamanho, com 1.339 ha (mais de 5%).

De acordo com o gerente geral da Fundecitrus, Juliano Ayres, há um trabalho de controle do inseto psilídeo, que transmite a bactéria ao fruto. A principal delas é a criação e soltura da vespinha Tamarixia radiata, inimigo natural inseto transmissor.

"Nós temos liberado mais de 50 mil insetos por mês, que são os principais inimigos naturais do psilídeo, o que tem ajudado a diminuir o problema", explica.

Também tem incentivado os citricultores a buscar soluções com os proprietários de pomares vizinhos que estão em más condições, entre elas a erradicação ou pulverização da área.

O assunto também está sendo tratado junto à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) e ao Ministério da Agricultura, solicitando formalmente agilidade e prioridade dos órgãos de defesa para soluções para áreas de alto risco, como por exemplo, o incentivo ao produtor para que não abandonem a atividade.

A Florida, segunda maior região produtora mundial da fruta e do suco, tem sofrido desde o ciclo 2011/12 com a disseminação da doença. Nos últimos cinco ano a produção do parque citrícola caiu pela metade, muito em função também de pomares abandonados.

As árvores novas contaminadas pelo greening não chegam a produzir e as que produzem sofrem uma grande queda de frutos. Os pomares com alta incidência da doença devem ser totalmente eliminados porque praticamente todas as plantas, inclusive as sem sintomas, devem estar contaminadas. 

A bactéria multiplica-se e é levada por meio do fluxo da seiva para toda a planta. Quando há sintomas na extremidade dos galhos, ela pode ficar alojada em vários pontos, inclusive na parte baixa do tronco e nas raízes, o que torna a poda inútil e perigosa. Além de não curar a planta, as brotações que surgem após a poda servem como fonte para novas infecções. 
 

Tags:
Por: Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

0 comentário