Endividamento paralisa planejamento da safra 2016/17 no Piauí

Publicado em 03/08/2016 11:05 e atualizado em 03/08/2016 16:17
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Cenário pode resultar em uma redução nos investimentos feitos em tecnologia e até mesmo na área plantada. Situação afeta o estado, mas também outras regiões do Nordeste que foram afetadas pelo clima seco. Somente na soja, perdas ficaram acima de 65% nesta temporada. Lideranças buscam solução junto às instituições financeiras.

O planejamento da safra 2016/17 está parado na região de Uruçuí (PI). Isso porque, diante da quebra acentuada na temporada 2015/16, somente na soja, os prejuízos ficaram acima de 65%, os produtores estão com dificuldades para quitar os financiamentos, especialmente com o Banco do Nordeste. A instituição é um dos maiores financiadores da região do cerrado.

“Há uma total insensibilidade por parte do agente financeiro e é uma situação muito delicada. O Banco do Nordeste é um fomentador do desenvolvimento na região, o que se observa é o não entendimento da gravidade da situação. Estamos encaminhando os pedidos de prorrogação, porém, estão ignorando o cenário”, pondera o representante da Aprosoja Piauí, Altair Fianco.

Diante desse cenário, a perspectiva é que haja uma redução nos investimentos em tecnologia, principalmente em fertilizantes e até mesmo na área cultivada com a soja. A projeção é que não haja abertura de novas áreas. Anualmente, o crescimento dessas áreas gira em torno de 5% até 10% na localidade.

“Não podemos tomar uma atitude concreta, pois se não houver a prorrogação teremos que tomar outra atitude. Quando se assina uma cédula, está escrito que o financiamento será pago com a produção, mas se não houve colheita como iremos quitar as dívidas”, questiona a liderança.

E agosto será decisivo, uma vez que muitos custeios vencem ao longo do mês. “E com a redução dos investimentos, consequentemente teremos uma queda de produtividade, o que irá comprometer a próxima safra. Caso o banco execute os contratos, os produtores irão para a lista dos inadimplentes. E desde que haja a prorrogação, o banco não sinaliza que haverá novo financiamento. Teremos que recorrer às tradings para fazer barter, mas cada vez fica mais complicada a situação. Por isso, estamos tentando agendar uma reunião com os representantes das instituições financeiras”, diz Fianco.

A liderança ainda destaca que os produtores do Rio Grande do Sul foram contemplados com uma medida provisória para a renegociação das dívidas devido às perdas na safra ocasionadas pelas chuvas. E há medida provisória nº 733, que autoriza a concessão de rebate para liquidação de dívidas de crédito rural, que podem atingir até 95%, e a repactuação de dívidas rurais, com prazo de dez anos.

“Não estamos pedindo o perdão das dívidas, apenas que se viabilize o pagamento dos débitos atuais, dentro do planejamento de cada produtor. É importante destacar que todas as regiões do Matopiba enfrentam uma situação semelhante. E o Piauí foi um dos mais afetados com rendimento médio de 1.300 quilos de soja por hectare”, ressalta Fianco.

La Niña

Por outro lado, os produtores esperam um clima mais favorável para o desenvolvimento dessa safra diante da perspectiva de formação de La Niña. “Em anos de neutralidade ou La Niña temos bons resultados dos campos”, finaliza a liderança.

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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