Produtores rurais iniciam a colheita da soja em Buri (SP) e produtividade está abaixo da safra passada
Após as chuvas, os produtores rurais de Buri (SP) deram início à colheita da soja precoce da safra 2015/16. E o reflexo do excesso de umidade e falta de luminosidade já podem ser vistos na produtividade das plantações. Nas primeiras áreas, o rendimento das lavouras varia de 54 sacas do grão por hectare até 71 sacas por hectare. Na safra passada, o número ficou entre 75 sacas até 85 sacas por hectare.
Apesar da produtividade abaixo do esperado, o produtor rural do município, Frederico d’ Avila destaca que não é um rendimento ruim para a região. “Porém, temos custos de produção mais elevados devido ao nosso pacote tecnológico e pelo fato das áreas não serem tão grandes. E o clima também é sempre uma incerteza, às vezes temos um clima mais seco e quente e outras, mais úmido e frio”, completa.
Em relação à sanidade das áreas, o agricultor ainda destaca que o clima contribuiu para o aparecimento das doenças. Os casos de ferrugem asiática nas lavouras aumentaram nessa safra, mas mesmo assim, os produtores conseguiram realizar o controle. “Também tivemos problemas com as pragas comuns em tempo seco, como é o caso do ácaro”, explica d’ Avila.
Comercialização da soja
Ainda na visão do produtor, em Buri não há preocupação com a entrega dos contratos feitos anteriormente. Atualmente, a saca da soja é cotada entre R$ 74,00 até R$ 75,00 na região. Contudo, os produtores seguem atentos ao comportamento do dólar, até porque os custos de produção são altos, especialmente com o óleo diesel, energia elétrica e os defensivos.
“Os preços são atrativos, mas estamos de olho no dólar, uma vez que muitas instituições financeiras já apostam em um câmbio próximo de R$ 4,50 no meio de 2016. E o produtor tenta equilibrar essa conta, não queremos correr o risco de vender a soja com dólar de R$ 4,00 e depois comprar os insumos com a moeda mais valorizada”, ressalta d’ Avila.
Milho
No caso do cereal, os produtores reduziram à área destinada ao cereal na safra de verão, que não ultrapassa os 30% em grande parte das propriedades. O cenário é decorrente dos preços mais baixos, entre R$ 21,00 a R$ 22,00 a saca, praticados no momento do planejamento da primeira safra. Os produtores já iniciaram a colheita do cereal e, assim como no caso da soja, a cultura sentiu os impactos do clima adverso na localidade.
“O rendimento está próximo de 165 sacas até 170 sacas de milho por hectare, entre áreas de sequeiro e irrigadas. Mas os custos de produção são elevados, são lavouras com alta tecnologia. E em algumas áreas, as tecnologias transgênicas de combate às lagartas não tiveram sua eficiência com expressividade”, ressalta o produtor.
Hoje, o cenário é diferente, os preços do milho subiram e a saca do grão está sendo negociada a R$ 41,00 em Buri. “Com isso, os produtores que estão colhendo a soja e deverão colher até o dia 10 a 15 de fevereiro provavelmente irão investir na cultura do milho, apesar dos riscos climáticos serem maiores. Além disso, no ano passado o trigo na nossa região foi ruim por contra do excesso de chuvas e tivemos muitos problemas com as doenças. As lavouras tiveram quebra na produtividade e também qualidade inferior. Então, o produtor irá decidir sobre o trigo mais adiante”, finaliza.
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