Saiba o que pode acontecer com os preços do milho após CTNBio liberar importação de variedades transgênicas dos EUA

Publicado em 06/10/2016 18:29 e atualizado em 06/10/2016 19:13
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Entenda ainda como a demanda tem ajudado a sustentar os preços da soja em Chicago mesmo diante de uma safra recorde nos EUA

Nesta quinta-feira (6), o mercado do milho recebeu a notícia de que a CTNBio deu aval para que o milho transgênico americano possa entrar no Brasil até dezembro. O efeito psicológico é grande, mas o volume não deve ser expressivo para trazer grandes quedas ao mercado interno, como explica o analista Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

A liberação deste milho vencia no final de setembro e, agora, até dezembro devem entrar 1 milhão de toneladas até dezembro no país, com embarques já chegando em 40 dias. Este volume, no entanto, não é grande comparado aos 5 milhões mensais demandados pelas indústrias de ração.

Hoje o mercado já começou a sentir um movimento de baixa, de R$1 a saca, portanto, a notícia reflete nas cotações e prejudica o produtor, uma vez também que esse milho chega a valor competitivo, entre R$36 a R$39 a saca, mas não há força para uma queda mais expressiva.

A preocupação principal deve vir na competitividade com o mercado do trigo. No último dia, muitos negócios foram feitos para as indústrias, a medida em que a safra anda em boas condições e a importação de trigo do Paraguai também flui. A demanda da indústria de ração é menor do que nos anos anteriores, já que muitos abatedouros fecharam e produtores encontraram-se sem condições de continuar na atividade, então este fator pesa negativamente para quem ainda possui milho para negociar.

No Sul do Brasil, os produtores estão recebendo, em média, R$40 pela saca de milho. Neste momento, esse preço representa um teto e é bastante remunerador, apesar de estar R$10 abaixo do primeiro semestre - número que representou uma cotação histórica.

O milho da safra de verão já está sendo negociado na faixa de R$40 a R$42 a saca para entrega em dezembro e janeiro. “Se tiver condições, os produtores devem ir fazendo fechamentos, pois na colheita o mercado vai estar abaixo desses níveis. Qualquer número acima de R$36 é vantajoso”, aconselha o analista.

As lavouras, em geral, se encontram em boas condições e tudo indica que virá um grande volume na safra de verão.

Soja

No dia de hoje, o mercado na Bolsa de Chicago trabalhou na linha técnica para a soja, fechando a $9,48 o bushel. O fechamento, de acordo com o analista, é tecnicamente positivo, pois aponta que a demanda da soja, mesmo com a saída da China para o Feriado Lunar, continua muito forte. 258 mil toneladas foram negociadas para outros países. O relatório do USDA também aponta um grande volume de expotação, de 2 milhões e 179 mil toneladas no relatório semanal.

Apesar dos números de exportação expressivos, o mercado ainda se encontra pressionado por conta dos bons números da colheita. “Esses fatores limitam a evolução da soja. O produtor, mesmo sabendo que tem safra grande, espera números maiores”, explica Brandalizze.

O ritmo indica que os produtores americanos devem vender mais soja do que o volume estimado para a safra, logo, a exportação pode anular o volume expressivo que irá entrar no mercado. Neste momento, eles podem colher, armazenar e esperar o mercado para obrigar os indicativos de Chicago a uma melhora. “Parte da safra já foi vendida, mas o produtor americano é bem preparado e tem capacidade de armazenagem’, aponta.

No mercado interno brasileiro, a soja disponível, que representa apenas 6% da safra, está sendo negociada isoladamente para atender a demanda regional. Para a nova safra, 35% já foi negociado anteriormente, mas agora os produtores também aguardam por melhores preços.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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