Sem novidades, soja em Chicago perde força de alta, mas dólar puxado por crise institucional no Brasil pode trazer oportunidades

Publicado em 01/12/2016 17:19
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Mas analista alerta para quem tem endividamento em dólar. Nesse caso é preciso ter cautela nas vendas e fazê-la sempre atrelada à moeda americana
Confira a entrevista de Fernando Pimentel - Agrosecurity Consultoria

Nesta quinta-feira (1), o mercado da soja na Bolsa de Chicago vem sem grandes mudanças em relação ao fechamento de ontem, com o primeiro vencimento, por volta das 17h30, a US$10,32/bushel e o vencimento março, referência para a safra brasileira, a US$10,41/bushel.

De acordo com Fernando Pimentel, analista da Agrosecurity Consultoria, o mercado está sem notícias positivas vindas da comercialização da Ásia e sem mais nenhum outro fundamento que seja interessante neste momento para indicar uma alta.

Ele aponta que o ritmo de compras da China pode diminuir e que outros fundamentos, como o clima na América do Sul, que até o presente momento está favorável, em geral, passam a ser vistos pelo mercado. Além disso, as liquidações na virada do mês influenciam para a queda.

O analista explica também que existe uma "queda de braço" entre especuladores, que acumulam posições de compras, com mais de 110 mil contratos de soja comprados e fundamentos do mercado, que estão baixistas. Ele indica esse momento como "um pouco perigoso". "Se a China der uma diminuída no volume físico ou houver movimentação das taxas de juros dos Estados Unidos, nós podemos ter um degrau no mercado", diz.

Comercialização brasileira

Fernando conta que houve um bom movimento de venda no cerrado brasileiro por conta das altas em Chicago nas últimas semanas e do fator cambial, que trouxe um dólar mais elevado frente ao real. Além disso, os prêmios também estiveram melhores. O maior pico de comercialização foi na sexta-feira, considerada um dia "muito favorável para a movimentação de negócios", como ele descreve.

Ainda sem estimativas oficiais, o analista estima que cerca de 40% da safra nova já foi vendida. Apesar da comercialização ainda estar atrasada, para ele, "evoluiu bem neste momento".

Somando os últimos 30 dias, há uma desvalorização de mais de 9% do real. O dólar ajudou e, com o cenário político desfavorável no Brasil, sinalizando um mercado financeiro sensível à primeira grande crise do governo de Michel Temer, os riscos já são precificados e a moeda americana deve subir ainda mais.

"A gente gostaria que a renda do produtor fosse melhorada por outras vias, não por uma crise financeira. Continuamos em um buraco econômico. Os números do trimestre foram muito ruins. Brasília mantém a crise no ambiente político", destaca Fernando.

Ele aconselha aqueles produtores que tiverem dívidas em dólar para fixarem o preço da soja comercializada em dólar, pois os caminhos da moeda americana são inesperados e as dívidas evoluem com o câmbio.

Por:
Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte:
Notícias Agrícolas

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