No Brasil, pressão negativa sobre a soja pode se intensificar com avanço da colheita e fluxo maior de oferta encarecendo fretes

Publicado em 13/01/2017 16:45
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E Chicago, segue movimento de alta iniciado após relatório do USDA. Com redução da oferta americana, atenção se volta para América do Sul , que não pode falhar
Confira a entrevista de Carlos Cogo - Consultoria Agroeconômica

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Cenário de alta em Chicago persiste e poderia ter sido mais alto se condições climáticas na América do Sul tivessem piorado

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Nesta sexta-feira (13), o mercado da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) chega ao encerramento de forma positiva, movimento que vem desde o dia anterior com a redução do número da safra americana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em.

O analista de mercado Carlos Cogo, da Consultoria Agroeconômica, aponta que o relatório foi surpreendente e que essa era "a última coisa que o mercado esperava", embora as projeções para as exportações sigam inalteradas em 55,8 milhões de toneladas até o momento. Ele lembra que a redução na produção não é "gigante", mas como já havia sido precificada pelo mercado, ela tem influência direta nos preços.

Esse efeito pode ser mais sentido no dia de hoje por conta do horário de divulgação do relatório do USDA. Hoje, o mercado já abriu enxergando os números do relatório.

Cogo aponta que o mercado na CBOT só não subiu mais porque Chicago recebeu notícias de clima favorável para a safra na América do Sul. Neste momento, o foco nos Estados Unidos está encerrado, a não ser pela posse de Donald Trump em 20 de janeiro, que poderá trazer alterações no dólar e perda de competitividade para a safra americana, porém, o analista diz que "ainda é muito cedo falar sobre isso".

Na América do Sul, os olhos devem voltar-se para a sequência do clima no Matopiba, especialmente no oeste da Bahia, onde está o centro do problema. Na Argentina, há uma série de especulações, mas já se imagina que o país não deve confirmar as 57 milhões de toneladas que o mercado está esperando. Essas duas situações podem ser passíveis de gerar um impacto altista no mercado.

Ele lembra também que o produtor brasileiro pode enfrentar dificuldades nos próximos meses, uma vez que a demanda desviada para a América do Sul pode gerar também um impacto baixista sobre as cotações na CBOT. Além disso, fatores como o câmbio em aberto, com dólar com bastante volatilidade em relação ao real e a menor quantidade de venda antecipada pode gerar problemas em relação aos embarques, portos e custo do frete, o que pode pressionar o preço FOB da soja no interior dos estados.

A demanda chinesa, por sua vez, tende a esfriar nas próximas semanas. O Feriado Lunar, tradicionalmente, retira os traders do mercado. No entanto, no conjunto do ano, pode-se esperar que a demanda siga forte, segundo Cogo, já que a China irá precisar de farelo de soja para recuperar seu plantel de suínos.

Por fim, ele aconselha os produtores, se puderem, a se afastar do mercado neste período para deixar escoar os primeiros lotes, diminuir a pressão de oferta e também para que o mercado absorva o efeito Trump.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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