Decisão que prorroga plantio da soja no PR não é acertada e coloca em risco controle da ferrugem, diz pesquisador

Publicado em 21/12/2017 13:21
Confira a entrevista com Erlei Melo Reis - Doutor em Fitopatologia
15 dias a mais de planta verde no campo pode significar o surgimento de 2 novas gerações do fungo

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O professor Erlei Melo Reis, doutor em Fitopatologia, acredita que a decisão da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) de ampliar o plantio da soja até 14 de janeiro de 2018 precisaria ser melhor analisada e que, em termos de proliferação da ferrugem asiática, "não é uma decisão acertada".

Ele explica que qualquer estratégia relacionada a um maior ou menor período de presença de plantas verdes no solo influencia diretamente no comportamento dessa doença. Com um maior período, ocorre também uma maior produção de esporos da ferrugem, que surge mais cedo e com maior intensidade, exigindo também que os produtores realizem um maior número de aplicações.

Este fator pode trazer prejuízos diretamente no custo de produção além de propiciar o surgimento de fungos resistentes com a intensificação do uso de fungicidas de sítio específico. Ele diz entender a posição dos produtores em necessitar deste plantio estendido, mas que uma posição macro deveria ser tomada para "minimizar os danos".

Não há dados que afirmem veemente que os 15 dias a mais de plantio irão afetar diretamente nessa situação, mas Reis lembra que a geração de esporos dura de 7 a 8 dias - de forma que essa medida geraria o tempo mínimo para mais duas gerações de fungos, trazendo risco tanto para a soja que está sendo plantada agora, quanto para  a próxima safra.

O fato de essas lavouras só poderem ser plantadas após o milho e o feijão minimiza o problema. "Nesse sentido, a decisão é correta", avalia o professor, "mas ter plantas próximas pode agravar o problema".

Contudo, a presença da ferrugem sempre irá depender do ambiente, dependendo diretamente da frequência de chuvas, e não da quantidade.

Reis aconselha aqueles produtores que estejam em uma área onde o fungo está presente ou já se manifestou a evitar o plantio. Para aqueles que decidirem colocar a semente no solo, o cuidado deve estar em torno de monitorar a lavoura com visitas frequentes, fazer a aplicação assim que surgir a ferrugem, utilizar fungicidas eficientes e prestar atenção na rotação dos princípios ativos, além de fazer uso de fungicidas multissítios.

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Por:
Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte:
Notícias Agrícolas

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7 comentários

  • José Mauricio Zanon Castro - PR

    Os materiais genéticos de soja inox estão aonde? Nas mãos de quem? Cadê as nossas sojas com melhoramento genético com o evento de tolerância a ferrugem!

    Quem está rachando de ganhar dinheiro com isso!

    Estamos discutindo janelas que podem trazer rentabilidades ao produtor!

    Porque não discutimos sojas tolerante a ferrugem onde iremos usar menos defensivos e rachar a fatia que está ficando na mão das grandes!

    Nossa será que ninguém está vendo isso, estamos à mercê de quem?

    Variedade produtiva, sanidade baixa, alto investimento, maior rentabilidade a detentora da variedade e do que oferta de defensivos!

    Vamos abrir os olhos!

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    • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

      Plantar soja agora não tem lógica. Digo isso por experiência própria. Ano passado plantei soja no final de dezembro para salvar semente própria. Os custos que tive com fungicidas e inseticidas para controle de percevejos foram enormes e ainda colhi uma semente ruim. Este ano vou investir numa câmara fria e guardar a soja colhida em final de fevereiro. Soja plantada agora somente seria viável economicamente se for para vender como semente, acima dos R$ 3,00 por kilo. A verdade é essa mesmo.

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    • leandro carlos amaral Itambé - PR

      Quando plantava soja safrinha a melhor época de semeadura era na primeira semana de fevereiro,.. os percevejos sumiam e a ferrugem era de mais fácil controle..

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    • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

      Concordo plenamente Leandro. a soja plantada nesta época que você citou produz bem e fica barata. E produz semente de excelente qualidade.

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  • Paulo Gilberto Lunardelli CAMPINA DA LAGOA - PR

    O Governo do Paraná terá de repensar o calendário de plantio no Estado, pois em nossa região desde o dia 19 de dezembro chove sem trégua, e a previsão indica chuvas até 22 de janeiro, portanto mais de um mês sem possibilidade de entrar com máquinas para fazer o plantio. O Estado terá um grande prejuízo com as lavouras que não foram implantadas dentro do prazo do vazio sanitário... no meu entender, daria para se plantar até 31 de janeiro de 2018, sem causar nenhum transtorno ao vazio sanitário.

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  • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

    Estes pesquisadores deveriam falar menos e pesquisar mais... com dados..fatos..números que provam o que dizem... vejamos: a) qualquer burro sabe que se não plantar não dá doença. B)os fungos tem data de validade...15 de janeiro....me desculpe o incompetente pesquisador...os 15 dias não interferem no processo... caso o pesquisador não concorde, que apresente abaixo um estudo cientifico do assunto provando o que fala... e não aquilo que pensa... c) o Paraná tem clima de MS..SP...e clima do planalto catarinense... portanto situações diferentes em Guarapuava..palmas...pato branco..de cascavel...palotina...e de Maringá...isto o pesquisador não cita..só o que pensa..mais uma vez os pesquisadores junto com técnicos que nao sabem o equilíbrio entre grau de risco...custo..e lucro..dão palpites e fazem leis ..engessam a atividade rural em nome de sua incompetência técnica e gerencial e fazem o agricultor um boneco com suas extrovertidas e erradas descisoes...quer quebrar um negocio...Dêem condição de plantar ao produtor em qualquer época que o clima permitir...restringindo me deculpe você que deveria dar a solução esta apresentando o atestado de um grande incompetente...não plantar é recomendação de qualquer ignorante e você se diz especialista?????

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    • Luiz Antonio Lorenzoni Campo Novo do Parecis - MT

      Pois é Dalzir, aqui no MT, quando em 2012 a comissão de defesa vegetal do MAPA, composta na época por 12 "iluminados deuses do olimpo", decidiram pela proibição do cultivo da safrinha de soja, escrevi:

      "Proibir o plantio de "soja safrinha" é a mais fácil e cômoda posição e penso que esta sim logo ali na frente a mais perversa para toda a cadeia do agronegócio. Diria, sabe-se como começa a proibição, não se sabe como termina. Hoje proibiríamos o plantio da soja safrinha, amanhã a do algodão? Do milho? Ou do girassol? A proibição da "soja safrinha" seria apenas de soja sobre soja, ou de soja sobre arroz ou milho? Neste caso, qual o "argumento técnico"? Tudo indica que a "ideia luminosa" será proibir o plantio de soja após dezembro e/ou antecipar o vazio sanitário. Em minha opinião as duas hipóteses são autoritárias, de pouca eficácia e tecnicamente duvidosas. Senão vejamos: como produtores podem plantar arroz ou milho superprecoce, colher em dezembro e plantar soja, tecnicamente isso é possível, mas com a proibição de plantio em dezembro essa possibilidade deixa de existir. Antecipando-se o vazio sanitário, imaginemos de 15/06 para 15/05, mas não se proibindo o plantio após dezembro, há a possibilidade de plantio de soja até início de janeiro e colher antes de 15/05. Solução: antecipar ainda mais o início do vazio sanitário. Tudo indica que os "deuses do olimpo" proporão proibir o plantio de soja após dezembro e antecipar o vazio sanitário. Mas isso repercutirá em toda as culturas de safrinha. Tecnicamente, recomenda-se controlar as plantas daninhas ou tigueras quando estas causem um dano igual ou maior ao seu custo de controle, exceto em caso de medida fitossanitária (que seria o caso). Assim, aumentaríamos imediatamente o custo de todas as culturas cultivadas em resteva de soja. Como os controles dificilmente atingem eficiência de 100%, o produtor passaria a ter alto risco de multa ou destruição de cultivos o que acarretaria sérios prejuízos ao produtor, a cadeia do agronegócio e ao Estado. A ocorrência da ferrugem tem mais de 10 anos, é obvio que as moléculas apresentem resistência, ou melhor, tenham selecionados indivíduos resistentes, mas estas mesmas moléculas muitas vezes são usadas nas culturas de safrinha de algodão, milho, girassol e feijão com plantas tigueras de soja, a indução continuará. Com estes argumentos, em breve, com o intuito de "salvar a soja" estaremos proibindo todas as safrinhas em resteva de soja. Em outras palavras, para "salvar a soja" matamos os produtores. Não existe solução simples, para problemas complexos. E na minha opinião, a proibição é a medida mais simples". Você pode imaginar o "bombardeio" que sofri. Passados todos estes anos, continuo pensando que tomou-se uma medida fitossanitária, não em benefício dos produtores, mas, em benefício de um grupo de produtores...

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    • LAURICIO RIBEIRO DE MORAES Tangara da Serra - MT

      Este espaço é democrático e, portanto, deve-se respeitar todas opiniões. Mas o Sr Dalzir Vitória, da nossa querida Uberlândia, (sempre acompanho em seus comentários) está sendo bastante injusto e parece que desconhece o tema e a gravidade do assunto "Ferrugem Asiática"... Não sei se teve a ingrata oportunidade de vivenciar o problema da Ferrugem Asiática da Soja (FAS) em 2002/2003 onde praticamente todas as lavouras do BR foram reduzidas a pó devido a esse fungo..., quem salvou a agricultura Brasileira foram os pesquisadores e os próprios agricultores. Soja no BR vive dois momentos bastante distintos, o antes e o depois da FAS. A pesquisa de produção ligada ao melhoramento genético desenvolveu cultivares de ciclo cada vez mais precoces não somente para permitir o plantio da segunda safra, mas sim também para exercer uma das mais eficazes práticas da Fitopatologia que é a EVASÃO, quanto menos tempo a cultura ficar exposta menor será a agressividade do fungo. Em condições de epidemia não há alternativas de controle, veja o PR com 14 casos registrados de FAS, imagina os que não estão registrados quantos são!! FAS é problema de todos, Agricultores, Pesquisadores, Empresas de R&D, onde ações conjuntas tem que ser tomadas permitindo a todos a permanência na atividade. Está na hora de todas as instituições ligadas ao Agronegócio deixar de jogar pra torcida e realmente encarar de frente o problema da FAS. No tocante aos (pesquisadores que deveriam pesquisar mais) foi de uma maldade sem tamanho, o que os pesquisadores (Dr. Forcelini, PhD. Balardin, Dr. Madalosso, Dr. Hercules, Dr. Carregal, Dr. Juliatti) irão pensar ao verem esta citação maldosa? Lembro que todos estão recomendando ao mesmo tempo as boas práticas de manejo da FAS. Inclusive com aval do FRAC-BR,

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Sr LAURICIO, acho que todas as pessoas envolvidas nessa polemica, pensando mais calmamente nao vao endossar ofensas aos citados pesquisadores... Nao Merecem pois e' um trabalho que tenta ajudar os agricultores brasileiros em geral... Entendo que a irritaçao do sr DALZIR e LUIZ ANTONIO e' mais contra as pessoas que tranformam sugestoes de boas praticas em leis obrigatorias ----Sr Lauricio lei sobre o plantio e' com certeza uma loucura total---Tudo aquilo que se diz e se faz de forma generalizada , nunca pode ser tranformada em algo obrigatorio porque com certeza absoluta fere as varias particularidades existentes---- Eu aprendi que tudo aquilo que se expressa em numeros redondos e' 99% fruto de CHUTE-----Tranformar o CHUTE em lei e' a maior loucura que a gente possa assistir-----Acredito que ninguem desmereceu os doutores citados naquilo que eles sao muito bons ,,,nas pesquisas ,,,,-----Existe muita diferença entre o TEORICO e o PRATICO-----O TEORICO nao tem bagagem para decidir sozinho sobre NORMAS PRATICAS portanto eu acho que os senhores doutores precisam ter um pouco de humildade na hora de botar as coisas na pratica NADA DE CHUTE viu!!

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Sr LAURICIO, a lei deveria ter sido elaborada na forma de sugestoes de boas praticas informando temperaturas e humidade perigosas quem for pego com ferrugem em plantio realizado em desacordo com as sugestoes da lei leva multa---No Brasil existem uma infinidades de microregioes de clima diferente entao nao se pode agrupar todo mundo do mesmo jeito--

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  • Paulo Gilberto Lunardelli CAMPINA DA LAGOA - PR

    Decisão acertada do Governo do Paraná, pois os produtores do nosso Estado não poden ficar no prejuízo, enquanto os Estados vizinhos sequer tem o vazio sanitário. Os produtores de feijão e milho para silagem agradecem essa brilhante iniciativa. O prazo ideal para limitação de plantio no Paraná seria ate 31/01.

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  • Cleber Pigosso Chopinzinho - PR

    O clima da safrinha de soja, não é um clima propício para ferrugem. Na safrinha é muito mais difícil controlar o percevejo do que ferrugem.

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    • Cesar Schmitt Maringá - PR

      Procure um agrônomo.. Informe-se melhor. Não pense só em uma micro região. O fungo tem ação mais abrangente.

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  • Leonardo Cavalli MANGUEIRINHA - PR

    Se é errado plantar no Paraná após o final do ano, por que nos outros estados vizinhos pode? O problema é só no Paraná?

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    • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

      Porque aqui no Paraná muitos produtores estavam salvando suas sementes e isso afetava o lucro das cooperativas. Então bolaram este plano para proibir o plantio de soja safrinha. A prova está aí. Já fizeram uma exceção.

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    • Éder Salvadori Ivaí - PR

      O problema está no vazio sanitário, e não na safrinha da soja. Se todos eliminarem as guaxas a partir de 15 de maio teremos um resultado melhor!

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Alguém já assistiu alguma palestra de algum técnico da ADAPAR? Recomendo que se tiverem oportunidade, assista. ... Depois de assisti-la, acredito que vão ter um "mapa" da situação...

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    • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

      De 15 de maio a 15 de setembro... são 6 meses... a vida do fungo sem hospedeiro é de, no máximo, 60 dias.. o vazio é mais de 180... haja tecnico e pesquisador incoerente...burro...inconsequente...

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  • marcelo mussulini mariópolis - PR

    Sou de Mariópolis, sudoeste do Parana... aqui na região o maior problema sempre foi soja da resteva do trigo plantado ate novembro... já o da segunda safra se comporta bem melhor...

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    • Joceli Gianlupi Maracaju - MS

      Aqui no MS também está proibido o plantio de soja após 31 de dezembro numa decisão precipitada, pois conseguiram acabar com a opção da terceira safra numa pequena parcela da lavoura, sob essa "argumentação fitossanitária".

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    • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

      Rensi..clima de Chopinzinho..manguerinha...Mariópolis e diferente de bandeirantes...por isto o que os produtores colocam e diferente..nesta região as geadas comecam em maio...então soja guacha só no cabeca dos burros dos pesquisadores que acham que seu grande conhecimento se resume a não o plantar....deveriam buscar e dar solução plantando...

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