Soja: Confirmação de um acordo China x EUA poderia motivar novas altas em Chicago e trazer oportunidades para o Brasil

Publicado em 21/02/2019 18:48 e atualizado em 22/02/2019 07:48
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Chineses podem comprar mais US$ 30 bilhões em produtos agrícolas americanos. Produtor brasileiro tem de estar atento aos novos passos de ambos os países, bem como ao andamento do dólar para garantir bons momentos de venda.
Tarso Veloso - Diretor da ARC Mercosul

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Entrevista com Tarso Veloso - Diretor da ARC Mercosul sobre o Fechamento do mercado da soja

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Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o pregão desta quinta-feira (21) com altas de 7,75 a 8,50 pontos nos principais vencimentos, motivados pelas novas informações sobre as relações comerciais entre China e Estados Unidos. 

O contrato março terminou o dia com US$ 9,11 e o maio/19, o mais negociado neste momento, com US$ 9,24 por bushel. 

"E isso é importante também para o produtor brasileiro. Estamos com essa indicação de que o preço vai continuar subindo caso o acordo seja firmado. E se o acordo sai, a CBOT tem chances de buscar os US$ 10,00 rapidamente, e isso vai ser excelente oportunidade para o produtor no Brasil. Essa alta possível de US$ 1,00 em relação ao que temos hoje com um dólar de US$ 3,75 é muito bom", explica o diretor da ARC Mercosul, Tarso Veloso. 

Nesta quinta-feira, as cotações no Brasil subiram de forma significativa. Em Paranaguá, a soja subiu 1,3% no disponível, para R$ 78,00 por saca, enquanto foi a R$ 79,00 para março, com ganho de 1,28%. Em Rio Grande, alta de 1,97% para R$ 77,50 no spot e de 2,34% para o mês que vem, com R$ 78,60 por saca. 

No interior do país, os ganhos variaram entre 1,46% a 5,43% nas principais praças de comercialização. 

Segundo informações da consultoria, as duas maiores economias do mundo já estariam alinhando um acordo concreto para reestabelecer suas relações comerciais. O objetivo agora é conseguir a aprovação dos termos pelos dois líderes. 

"Assim como relatamos no fim da última semana, os representantes comerciais de ambas as nações já estão trabalhando em um Memorando de Entendimento para ser apresentado aos respectivos presidentes, Donald Trump e Xi Jinping. Os próximos passos seriam a aprovação dos termos por ambos lados e a conclusão do acordo em um encontro presencial, que deverá acontecer em meados de março", diz a ARC.

Fontes familiarizadas com os últimos encontros das delegações chinesa e americana relataram à agência internacional Bloomberg que a China se ofereceu para comprar mais US$ 30 bilhões de produtos agrícolas dos EUA, incluindo soja, milho e trigo, como parte desse acordo que estaria sendo desenhado com esse Memorial de Entedimento.

Entre as pautas das últimas conversas estão ainda os planejamentos para que sejam removidas tarifas anti-dumping e anti-subsídios dos grãos destilados secos (DDGs).
 
As informações são positivas, porém, ainda não foram reportados detalhes do possível acordo ou dos próximos passos que serão tomados pelas duas nações, uma vez que a disputa já, há tempos, deixou seu viés puramente comercial para tomar proporções geopolíticas muito maiores. 

Assim, os principais pontos de discussão continuam sendo, além da agricultura, a queda de barreiras, os setores de serviços, transferência de tecnologia e propriedade intelectual. Há, porém, a possibilidade de as condições dos dois presidentes não coincidirem e a as tarifas voltarem a ser impostas. 

Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Eu sempre gostei daqueles filmes de mesas de jogos em que o crupie fala...senhores façam suas apostas, não sei direito por que mas sempre gostei e me senti muito bem toda vez que ouvia... E quando falo que sei fazer determinados estudos, sei comparar metologias, separar conceitos, essas coisas, é por que sei mesmo. Já falei em outro comentário aqui que uma das piores coisas do mundo é o fingimento, alguém fingir que sabe fazer o que não sabe. Mas isso não significa que eu não respeite a experiencia prática dos produtores, aprendi isso com o professor Fioreze na UPF. Eu tenho formação acadêmica, estudei prá isso. E o que vou dizer para voces me custou muito para aprender e ainda estou tentando colocar isso em ordem, não sou um sujeito excepcionalmente inteligente, sou esforçado. E falo isso por que muitas vezes o produtor tem a experiencia mas não consegue transmiti-la, não consegue expressa-la, e isso acontece muito comigo também. E depois de expressa essa experiencia ainda existe o problema da interpretação feita por quem ouve. Então eu quero dizer que o conhecimento que tento passar às pessoas que leem meu comentários é o de que devemos olhar com desconfiança certas noticias. E eu acho que o produtor não usa os instrumentos financeiros de proteção por que muitos devem ter tentado operar baseados em noticias. E digo por experiencia, ninguém ganha operando noticias. Segunda feira saem os dados consolidados da Secex, lá é que está a realidade, aumento das exportações de soja e diminuição nas exportações de milho. Tem dados sobre o café, açucar, algodão, está tudo lá. Só clicar em cima da palavra commodities. Para se fazer uma análise estatistica é preciso comparar, diria de maneira grosseira que estatistica é uma ciencia comparativa, de forma que voce avalia resultados e compara uns com os outros usando determinada metodologia. E a base de comparação no Brasil são os dados da Conab e da Abiove. Por isso comecei o comentário com façam suas apostas, comparando esses dados com os da Secex. Ou de outra maneira, comparando a estimativa com a realidade. É um bom método.

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