Abiove quer ampliar moratória da soja para todo o cerrado brasileiro

Publicado em 04/11/2019 16:56 e atualizado em 04/11/2019 21:08
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O alerta partiu da Aprosoja/Tocantins, após reunião mantida com um representante da Abiove acontecida semana passada naquele Estado. A associação que representa as traders estaria oferecendo um valor próximo do arrendamento regional (5 a 8 sacas por hectares) por cinco anos para que os produtores do Tocantins não expandam suas lavouras sobre as novas áreas de cerrado. Os produtores, por sua vez, querem fazer a expansão de soja em áreas já abertas (usadas para pastagens, que se degradaram). Por enquanto não há acordo entre os dois lados.
Dari Fronza - Vice-Presidente da Aprosoja TO

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Entrevista com Dari Fronza - Vice-Presidente da Aprosoja TO sobre a Moratória da Soja no Cerrado

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Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o vice-presidente da Aprosoja/Tocantins, Dari Fronza, relatou detalhes da reunião acontecida com um representante da Abiove, Daniel Furlan Amaral (gerente da área de economia da Abiove, Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais), acontecida quinta-feira passada em Porto Nacional e Palmas (Tocantins).

Segundo Dari, a Associação das traders já está agindo sobre os produtores de soja da Amazônia Legal há 4 anos, mas é nesta safra que a ameaça está se transformando em realidade, com a Abiove anunciando que não irá  comprar a soja produzida dentro desta parte da Amazônia.

Somente no município de Dom Eliseu (norte do Pará) 62 fazendas estão embargadas, com suas licenças ambientais cassadas pelo Ibama. Agora a pressão da Abiove está sendo feita sobre o cerrado do Matopiba.

No entanto, segundo relatou Dari Fronza, os produtores não aceitam as imposições da Abiove, por estarem dentro da regularização ambiental, inclusive com as licenças aprovadas e com os CARs (Cadastro Ambiental Rural), finalizados.

_"Estamos respeitando o Código Florestal, e por lei temos o direito de aproveitar 65% das nossas propriedades. Já respeitamos os 35% das Reservas Legais que, junto com as APPs (Àreas de Proteção Permanentes), ampliam as áreas preservadas para mais de 50% das propriedades. Portanto, temos o direito de expandir nossas lavouras até onde a lei nos permite, mas queremos fazer essas expansões sobre as áreas de pastagens degradadas. No entanto, o representante da Abiove diz que, para isso, não há nada previsto".

O impasse está implantado no Matopiba, e agora seus produtores assistem com esperança o resultado do movimento que os sojicultores do Norte do Pará prometem realizar neste domingo, em Dom Eliseu (PA) em reação à moratória imposta pela Abiove. 

O representante dos produtores do Matopiba diz que, se não houver reação, a moratória, que tem origem nas Ongs ambientalistas européias, atinja e paralise toda a produção de grãos do Cerrado brasileiro. Só no Tocantins são 1.200 propriedades produzindo soja, numa área de 1 milhão e 150 mil hectares. E em pastagens degradadas (aptas para o plantio de soja) existem mais de 4 milhões de hectares só no estado do Tocantins.

Por: João Batista Olivi
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • MARCELO DE PAIVA AGUIAR Araxá - MG

    Está mais que na hora de os produtores de todo o Brasil fazer um movimento em apoio aos nossos companheiros do norte do Pará. Não podemos aceitar a Abiove e Ongs querendo mandar no Brasil.

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