Soja em Chicago não tem motivos para subir. Altas no Brasil seguirão dependendo da variação cambial

Publicado em 17/03/2020 16:55 e atualizado em 17/03/2020 20:05
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Consultor alerta para ano invertido para os negócios com a soja, onde o segundo semestre pode ter resultados inferiores aos registrados nesses primeiros meses
Carlos Cogo - Sócio-Diretor da Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio

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Entrevista com Carlos Cogo - Sócio-Diretor da Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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O mercado da soja, que chegou a trabalhar durante todo o dia em campo positivo na Bolsa de Chicago, viu as cotações perderem força e terminaram a terça-feira (17) com estabilidade. O contrato maio encerrou o dia com US$ 8,24 e o julho, US$ 8,31 por bushel.

E embora o mercado internacional siga pressionado e sem qualquer perspectiva de uma recuperação consistente, ao menos no curto e médio prazos, no Brasil há muita força ainda entre os preços e as oportunidades continuam aparecendo diariamente para os sojicultores. 

"O que sustenta essa alta extraordinária da soja no Brasil é o prêmio estável no porto e um câmbio acima de qualquer expectativa, que está ligado a fatores externos e internos", explica Carlos Cogo, diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio. "Não há mais motivo para o produtor brasileiro esperar para vender a soja dele", completa. 

Ainda segundo Cogo, já há cerca de 60% da safra comercializada e os outros 40% encontram, neste momento, valores atrativos que podem continuar levando os produtores a mercado. 

Nesta terça-feira, apesar da baixa de 0,88%, a moeda norte-americana encerrou o dia ainda na casa dos R$ 5,00. Leia mais:

>> Dólar fecha em queda após salto da véspera, mas se mantém acima de R$ 5

A alta do dólar, ainda como explica o analista de mercado, tira toda a competitividade da soja norte-americano, e "nós estamos nos beneficiando disso". Segundo Cogo, hoje os EUA são um país caro para todas as commodities, apesar de todas medidas do presidente Donald Trump.

BOLSA DE CHICAGO

Para Cogo, as baixas perspectivas de recuperação das cotações na Bolsa de Chicago vêm uma combinação dos desdobramentos do coronavírus - e de todos os impactos que exerce sobre a economia mundial - com a China ainda ausente da China nos EUA com novas compras da oleaginosa. 

Os cenários poderiam mudar a partir do segundo semestre com uma mudança no movimento do dólar ou diante do desenvolvimento da safra 2020/21 nos EUA.

Aprosoja reduz safra de soja do Brasil 19/20 para 120,6 mi t 

SÃO PAULO (Reuters) - A safra de soja do Brasil 2019/20 foi estimada nesta terça-feira em 120,6 milhões de toneladas, ante 123 milhões na previsão de fevereiro, de acordo com levantamento da associação de produtores Aprosoja.

A redução ocorre em meio a uma menor expectativa com a safra do Rio Grande do Sul (normalmente, o terceiro produtor brasileiro), que tem sido revisada nas últimas semanas diante de problemas com uma seca.

Em janeiro, antes de os problemas nas lavouras gaúchas se agravarem, a Aprosoja esperava uma safra brasileira de cerca de 124 milhões de toneladas.

Agora, a produção do Rio Grande do Sul está projetada em 12,8 milhões de toneladas.

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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