Relatório do USDA consolida o que mercado já previa, aperto na relação entre oferta e demanda e viés positivo para soja e milho

Publicado em 09/10/2020 16:57 e atualizado em 10/10/2020 09:02 2119 exibições
Guilherme Bellotti - Gerente de consultoria Agro do Itaú BBA
Com números ajustados, safra na América do Sul ganha importância e não pode ter falhas

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Entrevista com Guilherme Bellotti - Gerente de consultoria Agro do Itaú BBA sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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USDA mantém projeções para safra e exportação de soja do Brasil em 2020/21

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(Reuters) - Com o plantio atrasado em função da seca, o Brasil deve ter produção de soja de 133 milhões de toneladas em 2020/21, projetou nesta sexta-feira o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), que manteve as estimativas estáveis em relação ao levantamento divulgado em setembro.

O órgão norte-americano também deixou inalteradas as projeções para a exportação da oleaginosa do Brasil, em 85 milhões de toneladas para 2020/21.

Na ponta da demanda, o USDA elevou em 1 milhão de toneladas a estimativa de importação de soja da China, maior comprador da commodity no mundo, para 100 milhões de toneladas em 2020/21.

O USDA também indicou uma redução nos estoques globais da temporada, de 93,59 milhões de toneladas vistos em setembro para 88,7 milhões na análise de outubro.

Na mesma linha da soja, a safra brasileira de milho foi estimada em 110 milhões de toneladas para 2020/21, estável em relação ao levantamento de setembro.

Adido do USDA vê safra e exportações recordes de soja do Brasil em 2020/21

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SÃO PAULO (Reuters) - A safra de soja do Brasil em 2020/21 deverá atingir um recorde de 131 milhões de toneladas, com um aumento na área de cultivo, indicou nesta terça-feira o adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) no país.

Em 2019/20, segundo o representante norte-americano no país, a colheita brasileira atingiu 125,6 milhões de toneladas.

O adido também projeta exportações recordes de 85 milhões de toneladas na temporada 2020/21 (fevereiro de 2021 a janeiro de 2022), "superando com facilidade o recorde anterior, estabelecido em 2017/18, quando o Brasil exportou 83,7 milhões de toneladas". Na temporada 2019/20, foram embarcados 82 milhões de toneladas.

A estimativa para a área semeada com a oleaginosa no Brasil em 2020/21 foi mantida em 38,5 milhões de hectares, avanço frente aos 36,9 milhões de hectares na temporada anterior, com menções aos preços domésticos sem precedentes da soja.

Na véspera, o valor da oleaginosa em Paranaguá (PR), um dos referenciais do Brasil, atingiu um recorde de 156,02 reais por saca, superando uma marca de 2012, diante da redução de estoques frente à firme demanda, segundo o centro de estudos Cepea.

"A maior parte das áreas ainda está seca demais para plantar... Embora haja preocupação para o plantio das segundas safras caso a semeadura de soja não tenha início até meados de outubro, neste momento não há impactos para as produtividades da soja, desde que os padrões climáticos se mantenham normais no restante da temporada de cultivo", afirmou o representante do USDA em relatório.

Em meio ao "boom" das exportações, o adido também elevou as expectativas de importação de soja do Brasil a 500 mil toneladas na temporada 2020/21, ante 350 mil toneladas projetadas em julho, e 900 mil toneladas em 2019/20.

O processamento local de soja deverá atingir 45,5 milhões de toneladas, ante 44 milhões em 2019/20.

China e México compram soja dos EUA com preços tocando máximas em 2 anos e meio

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CHICAGO (Reuters) - As exportações de soja dos Estados Unidos seguem robustas apesar de um salto dos preços para máximas em mais de dois anos e meio, mostraram dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), com México e China fechando grandes compras.

Em anúncios diários sobre exportações, o USDA disse que exportadores privados venderam 374 mil toneladas da oleaginosa para a China e 152,4 mil para o México, além de 132 mil toneladas para destinos não revelados.

Juntos, os negócios representaram a maior venda de exportação diária dos EUA anunciada desde 8 de setembro.

As vendas ocorrem em meio a preocupações com atrasos no plantio de soja devido ao clima seco no Brasil, maior exportador global e principal fornecedor da China. Isso poderia, segundo analistas, aumentar a demanda pela soja norte-americana em janeiro e fevereiro.

O USDA também divulgou dados mostrando vendas líquidas de 2,591 milhões de toneladas na semana passada, a quinta semana consecutiva em que as vendas ultrapassaram 2 milhões de toneladas. Do total da semana anterior, mais de 1,5 milhões de toneladas foram para a China.

Os futuros da soja em Chicago tocaram nesta quinta-feira o maior nível desde 8 de março de 2018, antes do início da guerra comercial entre EUA e China que impactou as exportações norte-americanas para os chineses.

A China precisaria manter o ritmo acelerado de compras de produtos agrícolas dos EUA nos próximos meses para cumprir totalmente seu compromisso de importar 36,5 bilhões de dólares no primeiro ano do acordo comercial Fase 1 entre os países assinado em janeiro.

Dados do governo dos EUA mostram que as importações foram de 10,71 bilhões de dólares entre janeiro e agosto.

Por:
Aleksander Horta
Fonte:
Notícias Agrícolas/Reuters

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