Apesar do aumento na produção de açúcar, déficit global continua e preços nos mercados internacional e interno têm trajetória de alta

Publicado em 17/05/2016 14:01
No Brasil, tonelada do açúcar está em R$1.300,00 enquanto NY opera com negócios próximos a US$ 0,17 /lbp

A produção global de açúcar na safra 2016/17 deve crescer 2,9%, totalizando 178,5 milhões de toneladas, segundo projeção da INTL FCStone. Contudo, a consultoria ainda aponta um déficit global nesta temporada.

Para a safra atual (até setembro) a FCStone projeta escassez de oferta sob a demanda na ordem de 9,3 milhões de toneladas. Já para a temporada 2016/17 é esperado um déficit de 7,8 milhões de toneladas.

De acordo com o analista da FCStone, João Paulo Botelho, o desequilíbrio entre oferta e demanda deverá agravar a situação dos estoques mundiais. "Estimamos os estoques para o final da próxima safra chegando em 63,8 milhões de toneladas, fazendo a relação com consumo cair para 34,2%, o menor nível desde 2010/11", completa.

Segundo ele, consecutivos anos de queda no valor de comercialização do açúcar reduziram os investimentos na cultura e, consequentemente refletindo em menor produção.

Nesta safra, o menor volume produzido retrata os problemas climáticos, decorrente do El Niño, enfrentados nos principais países produtores. "Para o ano que vem, embora esperemos uma recuperação na produção desses países não acreditamos que seja suficiente para fazer frente ao aumento na demanda", explica Botelho.

Esses fatores indicam que há um potencial significativo de aumento de preço no médio e longo prazo. No mercado internacional as cotações já exibem reação sendo cotado a US$ 17 cents/lb, um patamar não alcançado desde 2014.

Além disso, considerando o câmbio e o preço internacional, hoje a tonelada no açúcar na Bolsa de Nova York é negociada a R$ 1.300,00. "Pelas nossas projeções a tendência é que esse preço possa aumentar ainda mais até o final do ano", destaca o analista.

Esse cenário também poderá influenciar no mix de produção na safra 2015/16. Segundo Botelho, já é possível observar usinas destinando maior parte da matéria prima para o açúcar, considerando que no mercado do etanol também há uma queda na demanda por combustível.

Projeções da FCSTone estimam que as usinas do centro-sul devem destinar 44% da matéria prima à produção do  açúcar, um aumento de 3,5% em relação ao ano passado.

A consultoria espera, ainda, que a produção de açúcar no período de outubro/15 a setembro/16 deve alcançar 34,9 milhões de toneladas no Centro-Sul brasileiro, um aumento de 13% em relação a 2014/15, que será destinado majoritariamente para exportação.

Por:
Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte:
Notícias Agrícolas

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