Café: Fundamentos apontam para preços em alta, mas cenário político e econômico traz incertezas ao mercado

Publicado em 07/01/2017 08:24
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As cotações do café em Nova Iorque recuaram 1355 pontos no mês de dezembro, enquanto no mesmo período o dólar se desvalorizou quase 4 % frente ao real. Esse movimento das cotações praticamente paralisou o mercado físico brasileiro nas duas últimas semanas de 2016 e também nesta primeira semana de 2017. 

O surpreendente resultado das eleições americanas, com a inesperada vitória de Trump, trouxe incertezas políticas e econômicas para os EUA e para o restante do planeta, levando os mercados ao redor do mundo a se reposicionarem. No café, apesar dos fundamentos apontarem para um precário equilíbrio entre produção e consumo mundial, até o final de dezembro último os operadores derrubaram em quatro mil pontos as cotações na ICE Futures US. 

As tensões internacionais já eram altas e cresceram muito com a vitória de Trump, que a partir do próximo dia 20 assume a presidência dos EUA. No Brasil, se somarmos a esse cenário a imensa crise política e econômica que estamos enfrentando como herança da desastrada administração lulo petista, fica muito difícil qualquer prognóstico sobre o desenrolar da economia neste ano. 

No café, os fundamentos: consumo em alta, baixos estoques mundiais, incertezas climáticas, término dos estoques brasileiros - maior produtor e exportador mundial, além de segundo maior consumidor, que agora passa a depender apenas de sua produção anual – apontam para mais um ano de preços sustentados e em alta. O cenário político e econômico dificulta uma visão mais clara do que acontecerá com o mercado. 

Já na próxima semana teremos um intenso debate sobre os estoques de conilon no Brasil e a pressão das indústrias de café torrado e solúvel para que o Governo Federal autorize a importação de café, o que trará imensos prejuízos aos cafeicultores brasileiros. Nossos produtores atendem a rígidas leis trabalhistas, fiscais e ambientais, imensamente mais brandas, ou inexistentes, na maioria dos países concorrentes do Brasil na produção de café. 

Praticamente não houve negócios no mercado físico brasileiro nesta primeira semana de 2017. Os cafeicultores não colocaram lotes no mercado devido aos baixos valores oferecidos pelos compradores. 

Até dia 4, os embarques de dezembro estavam em 2.548.712 sacas de café arábica, 11.037 sacas de café conilon, mais 297.492 sacas de café solúvel, totalizando 2.857.241 sacas embarcadas, contra 2.475.951 sacas no mesmo dia de novembro. Até o mesmo dia 4, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em dezembro totalizavam 3.293.530 sacas, contra 3.143.945 sacas no mesmo dia do mês anterior. 

Até dia 5, os embarques de janeiro estavam em 124.548 sacas de café arábica, mais 7.821 sacas de café solúvel, totalizando 132.369 sacas embarcadas, contra 328.780 sacas no mesmo dia de dezembro. Até o mesmo dia 5, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em janeiro totalizavam 360.694 sacas, contra 878.145 sacas no mesmo dia do mês anterior. 

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 30, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 6, subiu nos contratos para entrega em março próximo 535 pontos ou US$ 7,67 (R$ 24,71) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 30 a R$ 589,55 por saca, e hoje dia 6, a R$ 608,65 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 90 pontos.
Fonte: Escritório Carvalhaes

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