Café: Mesmo que o número da CONAB se confirme, a safra não será excessiva para as necessidades

Publicado em 19/01/2018 18:09 e atualizado em 20/01/2018 14:03
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A CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento divulgou ontem, dia 18, sua primeira estimativa para a nova safra brasileira de café 2018/2019. Segundo a CONAB, a produção de café no Brasil na próxima safra 2018/2019, deve ficar entre 54,4 milhões e 58,5 milhões de sacas de 60 kgs. Esses números indicam um crescimento entre 21,1% e 30,1% em relação a safra atual, 2017/2018, que segundo o quarto e último levantamento da CONAB, divulgado em dezembro último, foi estimada em 44,97 milhões de sacas de 60 kgs. A estimativa da CONAB é superior à divulgada na semana passada pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 53,2 milhões de sacas de 60 kgs. 

Em seu Balanço Semanal, que circula hoje, o CNC – Conselho Nacional do Café, se posicionou, informando que de acordo com sondagem realizada junto a suas cooperativas associadas, a safra brasileira de café 2018/2019 deverá se situar entre 50 e 52 milhões de sacas de 60 kgs, com avanço de 11,2% a 15,6% frente à colheita anterior. Desse total, a variedade arábica responde por um intervalo entre 38 e 39 milhões de sacas e a conilon de 12 a 13 milhões de sacas. 

O que nos chama a atenção é que para chegar aos volumes divulgados a CONAB estimou que a produtividade média deve ficar entre 28,41 sacas e 30,54 sacas por hectare, alta de 17,7% a 26,5% ante a safra atual. Essa produtividade, tanto a máxima como a mínima, foi considerada muito alta para ser uma média nacional por todos os agrônomos que consultamos. 

Enfim, é uma primeira estimativa, nos parece excessivamente alta, e como todos sabem, teremos de aguardar até abril/maio para termos uma ideia melhor de nossa próxima safra. Apenas para registro, mesmo que o número máximo da CONAB venha a se confirmar (com uma produtividade por hectare extraordinária), ela não será excessiva para as necessidades brasileiras de exportação e consumo interno. 

Como dissemos em nosso último boletim semanal (e agora dispondo dos números da exportação brasileira em 2017, divulgados esta semana pelo CECAFÉ), as exportações brasileiras de café entre julho e dezembro de 2017 totalizaram 15 690 000 sacas e nosso consumo interno utilizou mais 11 milhões de sacas. Portanto, já foram utilizadas aproximadamente 26,69 milhões de sacas da atual safra 2017/2018. No primeiro semestre de 2018 precisaremos de 15 milhões de sacas para manter um ritmo de exportação de 2,5 milhões de sacas por mês (no último semestre de 2017 a média mensal foi de 2,615 milhões de sacas de 60 kgs.) e 11 milhões de sacas para o consumo interno. Necessitaremos, portanto, de 26 milhões de sacas. Mesmo que em maio e junho o consumo interno já possa contar com algum café da nova safra de conilon, a situação é apertada. 

A partir de julho, com a nova safra começando a entrar em maior volume, nossas exportações mensais devem crescer. Se exportarmos 34 milhões de sacas no novo ano safra 2018/2019 e consumirmos internamente 22 milhões, desaparecerão 56 milhões de sacas até junho de 2019. Em seguida, a nova safra será de ciclo baixo. A situação é justa e o mercado provavelmente será tensionado o tempo todo. O pior período para comprar café será agora no primeiro semestre de 2018. O café não é muito e está em mãos de produtores mais capitalizados e informados. Eles não parecem dispostos a vender o que resta de suas safras a preços que consideram aviltados e não representativos para uma safra de ciclo baixo, com o Brasil sem estoques governamentais. 

Para dificultar ainda mais o quadro, o Brasil vive uma grande crise econômica e 2018 é ano de eleições gerais. 

Não houve pregão na segunda-feira na ICE em Nova Iorque devido ao feriado do dia de Martin Luther King nos EUA. Nos demais dias as cotações oscilaram bastante. Os contratos com vencimento em março próximo acumularam 100 pontos de baixa na semana. O mercado físico brasileiro teve mais uma semana difícil. Poucos cafeicultores mostraram disposição de venda nas bases oferecidas pelos compradores. 

O CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil informou que no último mês de dezembro foram embarcadas 2 935 291 sacas de 60 kg de café, aproximadamente 10 % (326 731 sacas) menos que no mesmo mês de 2016 e 0,9 % (15 392 sacas) menos que no último mês de novembro. Foram 2 531 604 sacas de café arábica e 45 720 sacas de café conilon, totalizando 2 577 324 sacas de café verde, que somadas a 356 049 sacas de solúvel e 1 918 sacas de torrado, totalizaram 2 935 291 sacas embarcadas. 

No ano de 2017 o Brasil embarcou 30 790 974 scs de café, 10,15% menos que as 34 268 749 scs exportadas em 2016. 

A "Green Coffee Association" divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 6.631.501 em 31 de dezembro de 2017. Baixa de 105.985 sacas em relação às 6.737.486 sacas existentes em 30 de novembro de 2017. 

Até dia 18, os embarques de janeiro estavam em 1.056.594 sacas de café arábica, 2.996 sacas de café conilon, mais 44.290 sacas de café solúvel, totalizando 1.103.880 sacas embarcadas, contra 1.204.778 sacas no mesmo dia de dezembro. Até o mesmo dia 18, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em dezembro totalizavam 1.708.365 sacas, contra 1.922.328 sacas no mesmo dia do mês anterior. 

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 12, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 19, caiu nos contratos para entrega em março próximo 100 pontos ou US$ 1,32 (R$ 4,23) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 12 a R$ 518.77 por saca, e hoje dia 19, a R$ 513,57 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 15 pontos.

Sondagem do CNC em cooperativas aponta safra 2018/19 do Brasil entre 50 e 52 milhões de sacas

Em sondagem feita em cooperativas associadas, o CNC (Conselho Nacional do Café) levantou que a safra 2018/19 de café do Brasil deve ficar entre 50 e 52 milhões de sacas de 60 kg. O número fica abaixo da estimativa de possibilidade de recorde divulgada ontem (18) pela Conab (Companhia Nacional de abastecimento), com colheita entre 54,44 milhões e 58,51 milhões de sacas.

"O Conselho Nacional do Café entende que este será um ano de safra cheia, proporcionado pela bienalidade positiva da maioria das lavouras de arábica, bem como pela recuperação das plantações de conilon após praticamente quatro anos de dificuldades em função de adversidades climáticas", informou o CNC em seu balanço semanal.

Uma safra de café do Brasil entre 50 e 52 milhões de sacas em 2018 representaria um aumento de 11,2% a 15,6% ante a temporada anterior, que foi de bienalidade negativa para a maioria das regiões produtoras. Desse total, a variedade arábica responderia uma produção entre 38 e 39 milhões de sacas e a de conilon de 12 a 13 milhões de sacas.

Em seu primeiro levantamento para a safra 2018/19, a Conab estimou que o Brasil deve ter produção entre 54,44 milhões e 58,51 milhões de sacas de 60kg. A estimativa representa aumento de 21,1% a 30,1% na comparação com a produção de 2017, que atingiu 44,97 milhões de sacas. O aumento na produção também foi creditado pela autarquia às melhores condições climáticas e bienalidade positiva.

O CNC explica que os números mais baixos em relação ao levantamento da Conab se devem "a vivência direta no campo dos técnicos de nossas associadas permite uma apuração diária imediata da evolução das plantas e, por meio disso, já podem identificar dificuldade no desenvolvimento dos chumbinhos em função do período de estiagem...". Os números da Conab foram apurados em dezembro.

A instituição do setor produtivo pondera ainda que o clima será importante para o desenvolvimento da safra nos próximos meses. "O clima será vital nos próximos meses para que se chegue, inclusive, aos níveis máximos prognosticados por nossas cooperativas, pois estamos na fase de enchimento, de desenvolvimento dos chumbinhos. Portanto, é salutar o monitoramento das lavouras para podermos chegar mais próximos à exatidão da safra 2018", concluiu o elatório do CNC.

Fonte: Escritório Carvalhaes

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